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BC prepara anúncio da meta de inflação de 2004

O Banco Central e o Ministério da Fazenda estão trabalhando na definição da meta de inflação para 2004 - já no mandato do próximo presidente -, que deve ser anunciada ainda neste mês, uma vez que as metas de anos anteriores foram anunciadas em junho. "O que temos em mente é trabalhar para reforçar a credibilidade de um sistema que se mostrou muito bom para enfrentar choques", disse o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, durante teleconferência no final desta manhã. Ele não deu detalhes do que está em discussão, e nem se haverá algum aperfeiçoamento do sistema. O sistema de metas, segundo Fraga, já se provou eficaz, ao enfrentar crises externas, como a da Argentina em 2001 e a desencadeada pelos ataques terroristas aos Estados Unidos também no ano passado, assim como a turbulência atual gerada pela expectativa em relação à eleição presidencial deste ano.Juros e câmbioArmínio Fraga afirmou que o significativo aumento nas projeções futuras dos juros no mercado financeiro já substituem uma política contracionista que poderia ser feita através do BC, em momentos de estresse como o atual. "Os futuros, por si só, vêm provocando essa política contracionista", disse Fraga, ao comentar em teleconferência com analistas do mercado que o BC tem utilizado instrumentos clássicos de resposta para a instabilidade financeira. Nesse rol de instrumentos, citou o aumento do superávit fiscal primário, o enxugamento de liquidez no mercado via aumento dos compulsórios, o aumento do poder de fogo das reservas internacionais, com a recompra de papéis da dívida externa, e a redução nos prazos da dívida pública. Referindo-se aos títulos da dívida externa, Fraga voltou a reiterar que os US$ 3 bilhões disponíveis para as recompras referem-se "preferencialmente, mas não exclusivamente" aos papéis de 2003 e 2004. Também destacou ser esta uma opção semelhante ao racionamento diário de US$ 50 milhões adotado no ano passado, para conter a volatilidade no câmbio, só que mais eficiente. "Achamos mais eficiente trabalhar com uma parcela da dívida, que pode inclusive descongestionar as captações externas de empresas privadas", explicou. Sobre as intervenções diretas no mercado de câmbio, o presidente do BC frisou ser este um instrumento útil, mas que deve ser adotado de maneira complementar à outras políticas. Questionado sobre um eventual novo enquadramento para as posições compradas em dólar dos bancos, Fraga limitou-se a dizer que este também é um instrumento de que a autoridade monetária dispõe - e que já foi utlizado no passado - e que sua utilização, ou não, faz parte das decisões táticas que o BC pode tomar no dia a dia. Turbulência e superávitArmínio Fraga voltou a afirmar que o nível de superávit primário fiscal de 3,75%, deste e do próximo ano, deveria afastar algumas dúvidas presentes sobre a solvência do governo brasileiro. Segundo ele, a relação atual da dívida/PIB, em torno de 55%, com esse nível de superávit primário, é perfeitamente administrável. "Essa relação agüenta muito bem um juro real em torno de 10% e um crescimento médio em torno de 3%", disse Fraga, destacando que o Brasil tem um claro potencial de juros abaixo de um dígito, e de taxas mais altas de crescimento econômico. "É um superávit fiscal adequado para quem avalia o Brasil sob o ponto de vista da solvência intertemporal do governo, não tenho dúvidas disso", sublinhou Fraga - o que não quer dizer, admitiu, que não sejam necessários avanços na área tributária e previdenciária. Ele e o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, participaram hoje de teleconferência promovida pela corretora Ágora Sênior, da qual a Agência Estado participou. Ao falar da viagem que fará hoje para Londres, o presidente do Banco Central disse que viagens como essa são importantes para discutir e relembrar aos investidores externos as condições da economia brasileira. Em momentos de crise como o atual, Fraga ponderou que é importante sair do dia a dia da turbulência para discutir um quadro que represente melhor uma tendência de médio prazo. O importante, segundo ele, é não se levar "pelo entusiasmo" nos bons momentos nem "pela depressão" em situações piores. Este mesmo tipo de conversa Fraga disse manter com as agências de classificação de risco. Ao responder a uma pergunta sobre a decisão da Moody´s e da Fitch de rebaixar o Brasil na semana passada, o presidente do BC admitiu que essas agências fazem um trabalho que freqüentemente acaba dando sinais depois que o mercado já se "manifestou". "Isso é meio inevitável", afirmou. Nos rebaixamentos da semana passada, o presidente do BC admitiu que as agências foram causa da turbulência, e não conseqüência do mercado. Novo governoO próximo presidente da República a ser eleito, seja ele quem for, receberá um conjunto de ajustes, além de ativos, que poderá viabilizar um cenário econômico "virtuoso". A avaliação é de Armínio Fraga, ao analisar os fundamentos da economia e refletir cenários futuros. O desempenho da área fiscal, segundo ele, está se mostrando capaz de responder às demandas, embora ele defenda aperfeiçoamentos. "A reforma tributária é crucial", disse, ponderando que os primeiros passos nessa direção estão sendo dados. Fraga também citou a importância de o próximo governo retomar a discussão da reforma da Previdência Social. Se feitas, as reformas reforçariam o desempenho fiscal do País. Além da herança fiscal, Fraga listou um conjunto de avanços que o próximo governo receberá do atual. A partir da adoção do câmbio flutuante, segundo ele, o balanço de pagamentos pode superar choques externos. Para ele, um câmbio subvalorizado como o atual pode até "dar margem para uma valorização mais adiante". O desempenho da inflação, que mostra uma "situação bem comportada", foi outro ponto citado por ele. O bom desempenho do setor bancário e o ajuste, "em grande parte já concluído", das tarifas públicas também foram citados por Fraga como heranças para o futuro.

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