BC prepara nova forma de calcular spread bancário

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que nas próximas semanas deverá ser divulgada a nova metodologia de cálculo da composição do spread bancário - que é a diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e quanto eles cobram dos clientes. Meirelles disse esperar que as novas informações contribuam para a queda dos spreads - assunto que há muito tempo vem sendo discutido entre bancos e governo.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 20h33

Entre as inovações, o presidente do BC citou a divulgação do spread das operações de crédito com recursos direcionados. O BC já vem trabalhando nisso há algum tempo e até já havia apresentado no relatório de inflação de março cálculo diferente do spread, incorporando no cálculo itens como os financiamentos com recursos direcionados. Na ocasião, pela metodologia atualmente vigente o spread bancário para pessoas físicas em dezembro de 2008 seria de 45,1 pontos porcentuais e pela metodologia alternativa, mais abrangente, cairia para 39,8 pontos.

Segundo ele, a medida deve dar mais transparência e ampliar a informação disponível para a sociedade e o governo, o que pode contribuir para a redução desse custo. "Vamos aperfeiçoar a aferição do spread", afirmou.

Outra mudança pode ocorrer no cálculo da inadimplência, que hoje é baseada nas provisões mantidas pelos bancos - reservas contra possíveis perdas - e pode passar a considerar as perdas esperadas e as efetivas. Mas ele não deu mais detalhes sobre essa mudança.

Meirelles também defendeu, mais uma vez, a aprovação do projeto que institui o cadastro positivo, que está no Senado, pois, segundo ele, isto ajudaria a estimular a competição, que é o fator decisivo para a queda nos spreads. O cadastro positivo relaciona os clientes bons pagadores que, por meio disso, poderiam obter recursos com juros mais baixos. Ele lembrou que em países como os Estados Unidos o spread é baixo porque a concorrência é acirrada entre as instituições financeiras.

O presidente do BC participou hoje de audiência pública no Congresso Nacional para falar sobre os resultados das políticas monetárias, creditícia e cambial, executadas pela autoridade monetária. A reunião estava esvaziada de parlamentares, mesmo assim ele tentou ver o lado positivo da situação. Segundo Meirelles, o reduzido quórum mostra que os parlamentares não veem a política monetária como um problema e que estão preocupados com outras questões.

Para a plateia rotativa inferior a dez parlamentares, Meirelles comemorou o fato de a inflação em 12 meses encerrados em agosto estar em 4,36%, abaixo, portanto, do centro da meta de 4,5%. Ele destacou também que nos últimos anos a inflação tem "orbitado ao redor da meta". "Em 2008, o BC talvez tenha sido um dos únicos a entregar inflação na meta ao redor do mundo", afirmou.

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