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BC prevê crescimento menor no crédito

Projeção do Banco Central indica aumento de 15% na concessão de crédito pelos bancos em 2011, abaixo dos 20% calculados para este ano

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

O Banco Central acredita que o ritmo do crédito deve desacelerar em 2011. Após as recentes medidas para conter a alta dos empréstimos, a instituição prevê que o volume de financiamentos deve crescer 15% no próximo ano na comparação com 2010.

Se confirmada a projeção, incluída no relatório trimestral de inflação divulgado ontem pelo BC, o ritmo será menor que os 20% de alta esperados para este ano. A desaceleração deve ser mais notada nas operações para pessoas físicas, cuja taxa de expansão deve cair para patamar comparável ao visto no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, as operações de crédito para as famílias são as que apresentarão significativa desaceleração: devem crescer 10% em 2011, ritmo menor que o registrado em 2010, ano em que os financiamentos caminham para fechar com expansão 16%.

Se confirmada, a velocidade esperada no próximo ano será a mais baixa desde 2002, último ano do governo tucano, quando o crédito às famílias teve expansão de 9,8%. No período em que Luiz Inácio Lula da Silva foi presidente, o ano de 2003 foi o que apresentou menor taxa de crescimento desse segmento: 12,2%.

Endividamento. Hamilton nega que o fato tenha relação com um eventual "super endividamento" das famílias. "Pesquisa recente do BC mostra que o grau de comprometimento da renda das famílias nos empréstimos teve pouca alteração", afirmou, ao comentar que o cenário mostra especialmente o efeito das recentes medidas que diminuem o fôlego dos bancos para emprestar.

No relatório, o Banco Central sinalizou que um dos segmentos que mais devem sofrer com as medidas é o crédito para compra de veículos. Ao lembrar que financeiras precisam de mais capital para financiar em mais de 24 meses, o BC avalia que bancos poderão "onerar créditos de prazos mais longos, incentivando contratações com prazos menores ou com aporte de entradas mais expressivas". A desaceleração das operações está alinhada com a necessidade de diminuir a velocidade da economia para, assim, conter o aumento da inflação.

Empresas. Para as empresas, a retração no ritmo do crédito deve ser menos intensa: o crescimento da carteira deve cair de 16% previstos para 2010 para 14% no próximo ano. "A desaceleração era esperada especialmente na pessoa física. A base de comparação é elevada e há efeito do aumento do compulsório e das medidas macroprudenciais", disse a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli.

Por segmento, o crédito livre - aquele em que os bancos podem usar os recursos para qualquer finalidade - deve crescer 12% em 2011, contra expansão de 16% em 2010. Já as operações direcionadas - aquelas com uso específico, como financiamento oferecido pelo BNDES ou para compra da casa própria - devem ter alta de 23% no próximo ano, ante 29% este ano.

Carlos Hamilton avalia que a desaceleração do crédito direcionado é um efeito natural após o forte crescimento do segmento nos últimos anos e também porque o BNDES já deu sinais de que quer abrir maior espaço para o crédito oferecido pelo setor privado.

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