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BC prevê cumprimento da meta e gasto menor com juros em 2012

Analistas de mercado discordam e dizem que governo deverá elevar gastos com investimentos no ano que vem

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h05

As incertezas sobre o desempenho da economia não impedem o Banco Central de prever um cenário azul para as contas públicas em 2012. A instituição acredita que o governo continuará economizando o equivalente a 3,1% de tudo o que é produzido no País e ainda reduzirá o gasto com juros. Com isso, os indicadores de endividamento devem melhorar. Parte do mercado discorda e prevê números piores.

De acordo com o cenário apresentado ontem pelo chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel, a conta de juros paga pelo governo vai cair do atual patamar de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para algo em torno de 4,3%. Para isso, a instituição conta com a inflação menor e o efeito da queda do juro básico, a Selic. Só a redução da taxa realizada de agosto até agora, de 1,5 ponto porcentual, é suficiente para reduzir a conta de juros em R$ 16,6 bilhões nos próximos 12 meses.

Dívida em queda. Com menos gastos com juros, pelas contas do BC, a dívida cairá, até dezembro, para um valor correspondente a 35,7% do PIB. Atualmente, está em 36,6%.

O mercado, porém, discorda. "Mantemos a visão de que a política fiscal deverá mudar a marcha logo nos primeiros meses de 2012. Em janeiro, esperamos que o aumento do salário mínimo já aprovado comece a ter impacto. Acreditamos também que o governo irá descongelar o investimento logo no início de 2012", prevê o analista econômico do Itaú, Mauricio Oreng.

Para o Itaú, os gastos federais - que devem crescer 3,5% em 2011 - ganharão fôlego e devem fechar 2012 com expansão bem maior, de 8,5%.

Outro ponto de discordância é quanto ao pagamento de juros. O economista sênior do Espírito Santo Investment Banking, Flavio Serrano, prevê que essa conta somará valor próximo de 5% do PIB, acima da previsão de 4,3% do BC. "Não esperamos uma queda tão grande da inflação. Por isso, a conta não vai diminuir tanto", diz o economista.

Além disso, Serrano não aposta que o governo vai realizar superávit primário de 3,1% no próximo ano. "Acreditamos que teremos abatimentos de obras de infraestrutura, como o PAC. Por isso, o esforço fiscal será menor, próximo de 2,7%", diz.

Mauricio Oreng, do Itaú, é ainda mais pessimista e prevê que a economia do governo para pagar a dívida será de 2,5% do PIB em 2012./F.N. e A.F.

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