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BC prevê déficit maior com o exterior

Saldo negativo na conta corrente foi de US$ 42 milhões em outubro e deve atingir US$ 700 milhões em novembro

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2007 | 00h00

Depois de outubro apresentar o segundo déficit do ano na conta de transações correntes, de US$ 42 milhões, o Banco Central prevê para novembro novo saldo negativo, agora maior: US$ 700 milhões. O montante estimado, se confirmado, ficará próximo do déficit de US$ 792 milhões de julho, quando foi quebrada uma seqüência de 17 meses de saldos positivos nessa conta, que registra operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior.Em 2007, está havendo uma clara deterioração na conta corrente brasileira. De janeiro a outubro, ela apresentou saldo positivo de US$ 5,59 bilhões, pouco menos da metade dos US$ 11,79 bilhões em dez meses de 2006. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, nos próximos meses prosseguirá a tendência de redução no superávit em conta corrente. De acordo com Altamir, a tendência de deterioração nessa conta reflete a trajetória de alta no déficit da conta de serviços e rendas, que inclui desde viagens internacionais até as remessas de lucros e dividendos ao exterior, além da queda no superávit da balança comercial. Os dois movimentos refletem a combinação aumento na renda dos brasileiros e câmbio valorizado - que estimula as remessas, já que as empresas podem enviar mais dólares por real obtido.O peso mais significativo sobre a conta corrente neste ano vem das remessas de lucros e dividendos, que somaram em dez meses US$ 15,98 bilhões, 27,77% a mais do que em igual período de 2006. Somente em outubro as remessas atingiram US$ 2,2 bilhões, mais que o dobro de outubro de 2006. Em novembro, já estão em US$ 1,74 bilhão. O que tem compensado esse movimento das remessas é a conta de juros, que no passado já foi a vilã das contas externas. Em outubro, a despesa líquida foi de US$ 331 milhões, menos da metade do verificado em igual mês de 2006. De janeiro a outubro, o gasto com juros soma US$ 6,443 bilhões, 32,16% abaixo do verificado no mesmo período do ano passado. A perspectiva de queda dos saldos em conta corrente e a possibilidade de déficit nos próximos anos não preocupam Altamir. "Não é nada de outro mundo se você tiver condições de financiamento." Ele diz que o Brasil tem condições de suportar resultados negativos porque há ingresso de recursos em várias frentes, como investimentos diretos (IED) e em ações e títulos, o que seria suficiente para anular eventuais conseqüências negativas.Já o professor de Economia da USP Fabio Kanczuk é mais pessimista. Para ele, o saldo deve ficar negativo já em 2008, com déficit entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões. Para Kanczuk, a reversão desse resultado deve provocar conseqüências negativas no fluxo financeiro. "Quando o resultado mudar, o cenário ficará menos atrativo, o humor muda e parte desses recursos pode sair."

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