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BC prevê inflação abaixo de 4,5% este ano

Mas ritmo mais forte da economia deve acelerar a alta dos preços e fazer com que o IPCA fique mais longe do centro da meta em 2013

FERNANDO NAKAGAWA , ADRIANA FERNANDES , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h04

A inflação deve continuar em desaceleração nos próximos meses até fechar o ano abaixo do centro da meta. Mas o ritmo mais forte da economia prometido pelo governo deve acelerar preços e fazer com que a inflação fique mais distante da meta em 2013 e até no início de 2014, último ano do governo de Dilma Rousseff.

Divulgadas ontem, as previsões do Banco Central confirmam a expectativa do mercado financeiro de um cenário de atividade econômica mais dinâmica junto com alta de preços. No Relatório Trimestral de Inflação, o BC reduziu a previsão anterior de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 de 4,7%, em dezembro, para 4,4%, abaixo do centro da meta de 4,5%.

Para o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, a desaceleração será causada pelo menor ritmo da economia no segundo semestre de 2011. O freio derrubou a atividade em muitos setores e desacelerou preços. Além disso, o cenário externo ainda incerto também contribuiu favoravelmente para desacelerar a inflação brasileira.

Mas nem tudo são flores. Na esteira da economia, que deve crescer mais após cortes de juros, a projeção de IPCA em 2013 subiu de 4,7% para 5,2%. Os preços seguirão pressionados até o primeiro trimestre de 2014, ano da Copa, quando o IPCA deve acumular 5,1% em 12 meses. "É importante levar em conta que, na nossa visão, a dinâmica para a inflação tende a melhorar", disse o diretor do BC.

Medidas. De acordo com Hamilton, os índices devem desacelerar porque o crédito será mais moderado e há possibilidade de queda de preços dos produtos básicos, as commodities. Além disso, Hamilton deixou a porta aberta para a retomada de medidas macroprudenciais com o objetivo de segurar a escalada da inflação.

Apesar desse otimismo no discurso, o próprio diretor admitiu que algumas preocupações seguem muito vivas. "Não temos só notícias boas. Há uma grande resistência na queda de alguns preços, especialmente nos serviços." Cabeleireiro, médico, cinema e restaurantes estão entre os responsáveis pelos 8,1% da inflação de serviços nos últimos 12 meses, bem acima de outros preços.

Outro ponto de atenção do diretor do Banco Central é a evolução dos salários, com ganho real. Esses movimentos, explicou Hamilton, potencializam e podem elevar ainda mais a demanda doméstica. Além disso, o Banco Central voltou a reclamar dos contratos que preveem reajuste pela inflação passada, como aluguéis e tarifas públicas, a chamada "indexação".

"Somos mais conservadores e prevemos 5,2% em 2012 e 6% em 2013. Acho que a principal diferença é o patamar de juro neutro considerado pelo BC, que certamente é bem menor que o do mercado", diz a economista-chefe da Banco Fibra, Maristela Ansanelli, ao comentar que o documento consolida a previsão de que a Selic cairá a 9% em abril e, a partir daí, seguirá estável.

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