BC prevê inflação acima do centro da meta neste ano

Relatório trimestral do Banco Central projeta IPCA em 4,6% neste ano, acima da estimativa anterior

Agência Estado e Reuters,

27 de março de 2008 | 08h54

A inflação brasileira deve superar ligeiramente o centro da meta neste ano, previu o Banco Central em seu Relatório de Inflação do primeiro trimestre, notando pressões de demanda. O prognóstico para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008 passou para 4,6%, segundo o documento divulgado nesta quinta-feira, 27, ante estimativa anterior, feita no quarto trimestre do ano passado, de 4,3%.  Veja também:BC vê possibilidade de aumento da gasolina este anoAlta na projeção de inflação era prevista, diz BernardoEntenda os principais índices de inflação   O número supera o centro da meta de inflação perseguido pelo governo, de 4,5%. A meta tem tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O BC notou que a aceleração da inflação no começo deste ano deveu-se sobretudo a pressões sazonais, como educação e alimentos in natura, mas ressaltou preocupações sobre os movimentos futuros dos preços.  "As elevações nos índices de difusão, nas diferentes medidas de núcleos e nos indicadores dos preços por atacado de produtos industriais sugerem movimento mais disseminado, ao menos em parte decorrente de pressões de demanda, nas altas de preços", afirmou o relatório.  A inflação deve desacelerar ligeiramente no ano que vem, para 4,4%. Essa estimativa também foi revista em relação ao relatório anterior, que era de 4,2%. As previsões do BC são baseadas em um cenário de referência que estima câmbio a 1,70 dólar e Selic a 11,25%.  Os números esperados pelo BC estão acima dos do mercado, que projeta, segundo relatório Focus de segunda-feira, uma inflação de 4,44% neste ano e de 4,30% em 2009.  Crescimento  O BC projeta que a economia do País cresça 4,8% neste ano, taxa revisada para cima em relação à previsão anterior de 4,5%. "(Essa expansão prevista é) consistente com os resultados divulgados para 2007, especialmente no que se refere ao comportamento da economia no último trimestre do ano, e com as perspectivas, fundamentadas na evolução recente de indicadores antecedentes e coincidentes, quanto à continuidade do ciclo de crescimento da economia brasileira no decorrer do ano", disse o BC. Entre os componentes do Produto Interno Bruto (PIB), o prognóstico do BC para a expansão da agropecuária é de 4,9% neste ano. Para a indústria, a estimativa é de alta de 5,2% - com destaque para a força do setor extrativo - e para o segmento de serviços é de avanço de 4,4%. As três estimativas foram elevadas em relação ao relatório anterior. No texto, o BC avalia ainda que há "arrefecimento moderado" do ritmo de crescimento global e "continuidade do ciclo de expansão da economia brasileira". No capítulo 6.2, o relatório diz que esse cenário gera "riscos inflacionários em elevação, tanto doméstica quanto externamente". "Em linhas gerais, esse cenário contempla arrefecimento moderado do ritmo de expansão da economia global, do lado externo, acompanhado de continuidade do ciclo de expansão da economia brasileira, do lado doméstico, com riscos inflacionários em elevação, tanto doméstica quanto externamente", cita o documento. Na avaliação do BC, o principal risco externo é a possibilidade de que a desaceleração da economia mundial "seja ainda mais intensa do que a contemplada". O documento pondera que "ainda são consideráveis as incertezas sobre a intensidade e a duração da desaceleração, bem como sobre sua repercussão em outros países". Apesar desse cenário ainda pouco claro, o BC avalia que a desaceleração mais intensa da atividade nos EUA causaria "por si só" efeitos negativos nas economias maduras da Europa, Ásia, além de impacto nos países emergentes. O texto cita também que cresceram as preocupações quanto à inflação em diversas regiões que repercutem o aumento de preços de energia e alimentos.  "Nesse sentido, alguns bancos centrais podem vir a se defrontar com um quadro que combina desaceleração econômica com pressões inflacionárias significativas ("estagflação")", destaca o texto.

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