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BC prevê menor inflação global em 2012

Neste ano, Brasil tem o maior índice entre 15 países, a maioria com sistema de metas, mas só Noruega tem inflação abaixo do centro da meta

IURI DANTAS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h02

Ao apresentar os dados do relatório trimestral de inflação ontem, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, deixou claro que o Brasil está isolado na crise como o país de maior inflação, entre os que utilizam regime de metas, e taxas de juros mais altas do mundo.

Os dados serviram para confirmar dois pilares do cenário de trabalho do BC: os ventos de fora trazem desinflação e a maioria dos países desenvolvidos não tem mais capacidade de estimular a economia cortando juros.

Os números de inflação apresentados por Hamilton incluem 12 países que adotam o regime de metas de inflação, mais China, Índia e Rússia, que não usam o sistema mas também registram altos índices de preços nos últimos 12 meses. O único país cuja inflação está abaixo do centro da meta é a Noruega. "Temos aí um mundo que nos últimos 12 meses realmente inflacionou."

Para 2012, porém, a situação é bem diferente. As projeções utilizadas pelo BC apontam para queda da inflação em 11 dos 15 países estudados. A exceção fica com Noruega, México, África do Sul e Colômbia, que devem fechar o ano que vem com inflação acima da deste ano.

Um dos principais fatores citados por Hamilton para explicar a inflação mundial nos últimos meses é o preço das commodities, produtos básicos como açúcar, minério de ferro e soja, por exemplo, cujos preços são determinados por cotação internacional. Nos últimos 12 meses, esses preços subiram bastante, estimulados pelo aumento da liquidez internacional. Essa liquidez, na avaliação do BC, foi causada por políticas monetárias mais frouxas em economias como EUA, Japão e Reino Unido.

Risco. O cenário do BC, segundo Hamilton, prevê "acomodação" do preço das commodities. Se isso não se confirmar, por exemplo, será "um risco" para o controle da inflação no Brasil. "O nosso cenário contempla que não haja novo choque de commodities, mas é um risco sempre presente", afirmou.

A autoridade monetária, porém, não acredita que o Federal Reserve, o banco central americano, voltará à política de comprar títulos do Tesouro para estimular a economia, instrumento conhecido como "relaxamento quantitativo". "A eficácia desse tipo de iniciativa hoje é menor do que aparentava há 12 meses."

Nos três meses terminados em agosto, o Índice de Commodities do Banco Central caiu 5%, mas ainda permanece 25,1% superior ao mesmo período do ano passado, indicando a acomodação esperada pelo BC.

A desaceleração mundial e a queda dos preços de commodities podem levar o BC a continuar cortando a taxa básica de juros no ano que vem. É o que conclui estudo da MCM Consultores, com base no relatório de inflação. Esse cenário poderia deixar a Selic em 10% em 2012, o valor mais baixo da história.

"O principal motivo para isso é o peso que a autoridade monetária coloca na influência desinflacionária (para o Brasil) do cenário externo", diz o estudo. "Como, em nossa opinião, até o início do próximo ano dificilmente terá sido encontrada alguma solução duradoura para a crise europeia, o mais provável é que o quadro internacional esteja igual ou ainda pior que o momento atual, o que daria motivos para o Copom prosseguir um pouco mais com o afrouxamento monetário."

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