BC prevê piora das contas externas no ano que vem

Projeções da instituição mostram que País pode precisar de capital especulativo para cobrir rombo de US$ 65 bi estimado para 2012

ADRIANA FERNANDES, FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

As perspectivas desfavoráveis para a economia mundial vão aumentar em US$ 12 bilhões o rombo das contas externas brasileiras em 2012. Para piorar, pela primeira vez desde 2001, o déficit poderá não ser financiado totalmente pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que são recursos de mais longo prazo, aplicados no setor produtivo.

Essas são algumas das projeções traçadas pelo Banco Central (BC) para o setor externo no ano que vem. Se as estimativas se confirmarem, País será obrigado a contar com capital mais volátil, de curto prazo, para fechar as contas com o exterior.

Os números do BC apontam para um déficit na conta de transações correntes - que registra as operações do País com o exterior, como a balança comercial e o pagamento de serviços - de US$ 65 bilhões em 2012, alta de 22,6% ante o resultado negativo estimado para este ano.

Os dólares direcionados para o IED só financiarão 76% do rombo. O restante terá de vir de recursos que ingressam para aplicações financeiras, como ações e títulos de renda fixa. Também via captação de empréstimos externos, cada vez mais caros.

Pela previsão do BC, a entrada de IED em 2012 atingirá US$ 50 bilhões, queda de 23% ante o valor estimado para 2011. Faltariam, então, US$ 15 bilhões para cobrir o déficit esperado para a conta corrente.

A situação não preocupa o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel. "As transações correntes são financiadas por uma série de contas, não apenas pelo IED", argumentou. Para aplicações em ações de empresas brasileiras, o BC espera ingresso de US$ 12 bilhões.

Mesmo assim, ainda faltariam US$ 3 bilhões. Por isso, seria necessário também usar recursos que devem ingressar no País para compra de títulos de renda fixa, investimento que deve atrair US$ 5 bilhões. Além disso, o BC espera entrada líquida de US$ 6,2 bilhões com a captação de empréstimos externos.

Recuo. Com a crise, o mundo deverá comprar menos produtos brasileiros. Por isso, o BC prevê queda de 18% no saldo da balança comercial, que cairá de US$ 28 bilhões em 2011 para US$ 23 bilhões. Enquanto as importações devem crescer 7%, as exportações terão expansão de 4,3%.

O recuo de US$ 5 bilhões no saldo comercial é uma das razões para o aumento do déficit nas contas externas. Os gastos com serviços também vão pesar. As despesas com aluguel de equipamentos vão passar de US$ 16,3 bilhões para US$ 19 bilhões.

O déficit com viagens internacionais continuará alto, na faixa de US$ 14,5 bilhões. As despesas com pagamento de juros externos subirá de US$ 9 bilhões para US$ 12,2 bilhões. O que pesará mais será a remessa de lucros e dividendos de empresas instaladas no Brasil para as matrizes. Em 2011, o BC projeta remessa recorde de US$ 38 bilhões. Em 2012, chegará a US$ 39,6 bilhões.

"As contas em 2012 serão piores, mas não é nada desesperador porque o déficit será financiado por outros meios", disse a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli. Para ela, o ideal seria financiar o rombo com investimento produtivo, mas, quando isso não é possível, é aceitável usar outros recursos.

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