BC prevê piora nas contas externas

Brasil terá em 2013 o maior déficit nas transações com o exterior desde 2001 e a primeira queda na entrada de dólares desde 2008

EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h09

O Brasil vai registrar em 2013 o maior déficit nas suas transações com o exterior desde 2001, na comparação com o tamanho da sua economia, e a primeira queda na entrada de dólares no País desde a crise de 2008, de acordo com previsões do Banco Central. A instituição espera um resultado negativo de US$ 65 bilhões nas transações de bens e serviços com outros países no próximo ano, valor recorde. O número representa 2,7% do PIB, maior porcentual desde os 4,2% registrados 12 anos antes.

A piora nas contas externas, segundo o BC, vai refletir o crescimento maior projetado para a economia em 2013, que estimula o aumento das remessas de lucros para o exterior, dos gastos com viagens internacionais e das despesas com outros serviços internacionais, como aluguel com equipamentos e transportes. Do lado negativo, também é esperada queda no saldo comercial, pois o governo avalia que as importações de bens vão crescer mais que as exportações.

Além da saída maior de recursos, o BC projeta entrada menor de dólares. O ingresso de dinheiro na conta financeira, que reúne todas as fontes de financiamento externo, deve ficar em US$ 70 bilhões, menor valor e primeira queda desde 2008. A maior parte dessa entrada virá dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que reúnem o capital destinado ao setor produtivo, estimados em US$ 65 bilhões. Esse resultado é melhor que o esperado para 2012, mas ainda está abaixo do recorde de US$ 66,7 bilhões em 2011.

Desde 2002, o IED tem sido suficiente para financiar as contas externas. Neste ano, por exemplo, a entrada de US$ 63 bilhões esperada pelo BC cobrirá com folga o déficit externo estimado em US$ 52,5 bilhões.

Marolinha cambial. As projeções do BC descartam a possibilidade de que um "tsunami" de dólares invada o País no próximo ano, expressão utilizada pela presidente Dilma Rousseff para justificar restrições à entrada de recursos externos anunciadas desde 2011, que estão sendo revistas agora. As expectativas de investimentos estrangeiros em ações brasileiras, por exemplo, são de US$ 3,5 bilhões (2012) e US$ 5 bilhões (2013), os dois menores valores desde 2008.

Também há a expectativa de que os empréstimos captados no exterior por empresas que atuam no Brasil serão suficientes apenas para que elas paguem as dívidas que vencem no mesmo ano. Esses empréstimos foram alvo de várias medidas de taxação nos últimos dois anos, mudanças que, com alta do dólar, foram revistas agora.

O chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel, disse que essa última previsão é "conservadora", indicando que os números podem surpreender. Afirmou também que isso não significa dificuldade para que empresas se financiem no exterior. "Mesmo nessa situação, as condições de financiamento são confortáveis", argumentou.

Maciel destacou que, em novembro, o déficit nas transações correntes ficou em US$ 6,3 bilhões e o IED em US$ 4,6 bilhões. Nos dois casos, são os segundos maiores valores da série histórica, iniciada em 1947. Os gastos com viagens externas, apesar da alta do dólar, bateram novos recordes: maiores para meses de novembro (US$ 1,8 bilhão) e no ano (US$ 20,2 bilhões).

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