BC prevê queda de 2,2% na taxa de investimento

Segundo BC, produção industrial também vai registrar queda, de 0,1%, neste ano e inflação só converge para a meta de 4,5% no fim de 2013

IURI DANTAS/BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h09

Os diversos pacotes de estímulo ao consumo adotados neste ano e a política industrial da presidente Dilma Rousseff, o Plano Brasil Maior lançado em agosto do ano passado, não serão suficientes para impulsionar o crescimento da economia ou mesmo evitar uma queda da indústria. Em junho, o Banco Central estimava um aumento na produção industrial de 1,9%. Ontem, revisou a projeção para uma queda de 0,1%.

A autoridade monetária traçou um horizonte de crescimento mais moderado da economia brasileira. A taxa de investimentos, que a presidente Dilma Rousseff vem tentando aumentar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e reuniões com empresários, também deve decepcionar neste ano. A Formação Bruta de Capital Fixo (FCBF), índice usado pelo IBGE para medir os investimentos, terá desempenho negativo de 2,2% neste ano, contra uma previsão de crescimento de 1% feita há apenas três meses.

Nas projeções do BC, a produção da agropecuária deve cair 1,4%, em comparação a uma estimativa de retração de 1,5% feita em junho. O setor de serviços, que reflete o dinamismo do mercado doméstico vai crescer 2,2%, menos que os 2,8% apontados no Relatório de Inflação de junho. O consumo, por sinal, também será mais moderado, por causa de reajustes menores nos salários, segundo o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo.

Inflação. A falta de chuvas no Nordeste e Sul do País, além da maior seca dos últimos 50 anos nos Estados Unidos, frustraram a expectativa do BC de ver a inflação fechar este ano no centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. A saída foi usar a margem de tolerância de 2 pontos porcentuais e torcer por mais chuva no ano que vem.

Segundo Araújo, a instituição contava com a inflação próxima ao centro da meta em dezembro, na casa dos 4,7%. Mas o choque provocado pelo aumento no preço das commodities agrícolas elevou a previsão para 5,2%.

Como a pressão veio de fatores climáticos, explicou o diretor, "seria praticamente impossível" levar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta em 2012. "O custo seria enorme, estamos praticamente em outubro." "Se não fosse esse choque, nossa visão é de que a inflação ia, de acordo com o cenário que tínhamos naquele momento (junho), convergir para a meta no fim deste ano", disse Araújo. "A boa prática recomenda que esse tipo de impacto não seja combatido com aumento da taxa de juros." Os novos cálculos do BC, apresentados ontem, apontam a inflação no centro da meta somente no terceiro trimestre de 2013. No ano passado, o BC surpreendeu o mercado ao adiar para 2012 a convergência da inflação para o centro da meta, também por causa de um choque de oferta de commodities. O IPCA encerrou 2012 em 6,5%, o teto da meta perseguida pelo BC.

Em dezembro do ano que vem, a inflação vai rodar na casa dos 4,9%, subindo para 5,1% no terceiro trimestre de 2014, último ano do governo Dilma, por conta do crescimento da economia. Essa estimativa leva em conta manutenção da Selic em 7,5% e câmbio em R$ 2,05. Segundo Araújo, o real não deve repetir a mesma perda de valor frente ao dólar observada desde agosto do ano passado.

"A depreciação do câmbio certamente teve impacto na inflação, nos preços no atacado e ao consumidor. Por outro lado, acredito que é pouco provável que nos próximos 12 meses tenhamos uma nova rodada de desvalorização com tanta magnitude", disse Araújo.

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