BC prevê queda no déficit externo em 2016

O déficit das contas externas deve cair de US$ 62 bilhões, em 2015, para US$ 41 bilhões, em 2016, com a redução das importações

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2015 | 06h00

BRASÍLIA - O Banco Central apresentou sua primeira estimativa para o déficit das transações correntes (contas externas) do ano que vem: US$ 41 bilhões. Se confirmada, essa quantia será um terço menor do que a previsão do BC para 2015, de US$ 62 bilhões, que já representa uma queda de 40% na comparação com 2014.

As projeções indicam que a recessão e a alta do dólar continuarão a dar o tom da melhora nas contas externas em 2016. Deve haver redução das importações e o brasileiro deverá pensar duas vezes antes de viajar para o exterior.

A expectativa do BC é que os gastos dos brasileiros no exterior caiam de US$ 11,7 bilhões em 2015 para US$ 9 bilhões em 2016. Reflexo da variação cambial, apenas em novembro essa conta foi de US$ 505 milhões, menos de metade do que se viu em igual mês de 2014.

Queda na remessa de lucros. A crise também reduz os ganhos das empresas e, portanto, a remessa de lucros e dividendos para as matrizes no exterior. Para este e o próximo ano, é esperada uma remessa de US$ 20 bilhões. Em 2014, a remessa foi de US$ 31,2 bilhões.

Por fim, a balança comercial, responsável por 50% da melhora do setor externo este ano também deve colaborar em 2016. Com a recessão, a indústria e os consumidores reduzem as compras de produtos importados. Além disso, o dólar faz a mercadoria brasileira ser mais competitiva no exterior. De acordo com o BC, a diferença só não foi maior até agora porque os preços das commodities (matérias-primas exportadas pelo Brasil) despencaram nos últimos meses.

As estimativas do BC levam em conta exportações de US$ 190 bilhões neste e no próximo ano e importações de US$ 175 bilhões em 2015 e de US$ 160 bilhões em 2016. Daí o salto da previsão de superávit comercial de US$ 15 bilhões para US$ 30 bilhões de um ano para o outro: pela queda das compras, e não aumento das vendas.

Troca de ministros. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que as novas previsões foram feitas levando-se em conta a perda do selo de bom pagador do Brasil pela segunda agência de classificação de risco.

Para Maciel, a mudança do ministro da Fazenda (saiu Joaquim Levy e entrou o titular do Planejamento, Nelson Barbosa) não alterou “em nada” as projeções do banco. “Alterações pontuais no câmbio com mudança ministerial são de curto prazo”, disse. “Nosso horizonte é mais longo.”

As projeções para o Investimento Direto no País, que são os recursos voltados para o setor produtivo, caiu 10% de 2015 para 2016, ao passar de US$ 66 bilhões para US$ 60 bilhões. Esses valores, nas contas do BC, serão suficientes para financiar o rombo externo nos dois anos.

A equipe de economistas do Bradesco ressaltou que o déficit abaixo do esperado em novembro, de US$ 2,9 bilhões, reforçou a avaliação do forte ajuste externo do País este ano.

Para a consultoria Tendências, o déficit será de US$ 64,2 bilhões em 2015 e de US$ 44,1 bilhões em 2016. “Está em curso um ajuste bem intenso das contas externas, motivado em grande medida pela retração da economia doméstica”, disse a analista Gabriela Zini. / Colaborou Ricardo Leopoldo

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