BC quer criar índice para preços de imóveis

Indicador é necessário para prevenir risco de bolhas no mercado imobiliário, defende o diretor de Normas Alexandre Tombini

Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Cotado para suceder a Henrique Meirelles no comando do Banco Central, o diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini, defendeu ontem a criação de um índice de preços de imóveis. Atualmente, só existem índices que medem custos da construção e não da variação de preços de terrenos e imóveis. O novo índice, segundo Tombini, seria usado pelo Banco Central no monitoramento do setor, que vem crescendo de forma expressiva no País.

"Há uma necessidade de um indicador de preços confiável, robusto e abrangente, que sirva para o mercado definir estratégias e mensurar riscos. Precisamos avançar nisso, tendo em vista as perspectivas para o segmento de crédito imobiliário", disse o diretor do BC.

Segundo Tombini, que participou do encerramento da 2ª Conferência Internacional de Crédito Imobiliário, essa é uma agenda de curto prazo, mas cuja discussão ainda está no início. Ele explicou que esse novo índice não deverá ser elaborado pelo Banco Central, mas por uma entidade como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ao demonstrar interesse em um índice de preços de imóveis, Tombini evidencia a preocupação do BC em evitar o risco de bolhas no setor imobiliário, como as que levaram à crise internacional, a partir do final de 2008. A chamada crise do subprime, dos Estados Unidos, teve como uma das causas a alta dos preços dos imóveis residenciais nos Estados Unidos. Esse processo de inflação no mercado imobiliário americano alimentava o forte crescimento do crédito naquele país e a criação de instrumentos financeiros arriscados, os chamados "ativos tóxicos".

Quando a bolha estourou e os preços dos imóveis começaram a cair, o sistema de garantias desses créditos ruiu. Depois dessa crise, cada vez mais se discute o papel dos bancos centrais não só como guardiães da moeda, mas também como responsáveis por evitar bolhas de ativos, como imóveis, que podem afetar toda a economia.

Segundo o diretor do BC, o crédito imobiliário no Brasil vai crescer mais que outras modalidades nos próximos anos, liderando a expansão do crédito no Brasil. "Para que esse crescimento se dê em bases sustentáveis, o mercado precisa de informações confiáveis", disse.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, alertou, em videoconferência, que é preciso cuidar para que não sejam criados mecanismos artificiais de geração de fontes de financiamento, diante do desafio do setor de avançar em opções alternativas à poupança para o financiamento imobiliário. Segundo ele, nessa fase de crescimento é mais importante ainda que as regras prudenciais sejam seguidas pelas instituições financeiras.

"O BC está atento e sempre trabalhará em normas prudenciais, mas é importante que todos estejam bastante alertas", disse Meirelles. "A experiência mostra que problemas surgem na euforia", acrescentou, explicando que as dificuldades surgem da falsa percepção de que, durante o crescimento, não há riscos.

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