BC quer diminuir juros

O Banco Central (BC) pretende anunciar na segunda quinzena de novembro novas medidas para combater os juros altos do crediário e reduzir o diferencial de taxas entre a captação de recursos por parte dos bancos e a cobrada nos empréstimos, o chamado spread. Sem precisar prazos, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, ressaltou que o objetivo do governo é trazer as taxas para algo mais próximo do praticado nos países desenvolvidos.O spread admitido pelos bancos no exterior em suas operações com a clientela varia de 5% a 25%, segundo o diretor de Política Monetária do BC. "O referencial é ruim porque a maior parcela dos empréstimos concedidos no mercado internacional tem garantias. No Brasil, esta parcela garantida por colaterais oferecida pelo cliente é ínfima", disse Figueiredo. O diferencial de taxas cobrado nos financiamentos efetuados no mercado brasileiro era de 37,2% ao final de setembro. Em agosto, o spread era de 37,5%, afirmou.ReavaliaçãoSem adiantar detalhes, o diretor do BC comentou que a ação do governo se dará com base em estudos que indiquem quais os principais fatores que têm impedido a redução do spread e dos juros cobrados nos empréstimos bancários no Brasil: "Vamos fazer uma reavaliação dos estudos que produzimos em outubro do ano passado e ver o que agora está pressionando mais o spread. Veremos se é a inadimplência, a cunha fiscal ou o compulsório".Figueiredo ressaltou que a intenção de adotar novas medidas não foi provocada pela percepção de que as ações tomadas em outubro do ano passado não surtiram o efeito esperado. "Nada disso. Os juros caíram muito, sim. Mais até do que os juros básicos", afirmou. Ele, no entanto, reconheceu que, apesar disso, a redução foi "insuficiente". A adoção de coordenadas diferentes, segundo o diretor, tem de ser vista como um ponto de virada normal dentro de um processo longo de diminuição do spread bancário no Brasil.Cheque especial Apesar disso, o BC verificou que em setembro, os juros dos empréstimos bancários ficaram estáveis em 53,4%, enquanto as taxas do cheque especial aumentaram 2,1 pontos porcentuais e saltaram de 148,7% para 150,8% ao ano. "Essa é uma variação pequena e sem uma razão específica", disse o diretor de Política Monetária do BC, lembrando que as operações de cheque especial representam uma parte muito pequena no total dos empréstimos. "Estamos falando de operações de R$ 6 bilhões num universo de R$ 137 bilhões", comentou.Figueiredo procurou ressaltar que os clientes de bancos têm procurado, nos últimos meses, sair do cheque especial. "Eles estão migrando para o crédito pessoal", disse. O estoque destas operações aumentou em um ano cerca de 82,97%, enquanto o volume de empréstimos tomados via cheque especial cresceu apenas 16,27%.

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