BC quer inflação no centro da meta em 2009, diz Meirelles

"Tal atitude visa a evitar que se consolide um ambiente de pessimismo inflacionário", disse o presidente do BC

Célia Froufe, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 14h26

Com a inflação batendo quase no teto da meta, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirma que a autoridade monetária atua e continuará agindo para trazer a inflação para o centro da meta (4,5%) em 2009, "de forma tempestiva".   Veja também: De olho na inflação, preço por preço  Entenda os principais índices  Entenda a crise dos alimentos   Inflação é menor, mas ainda preocupa, diz Bernardo 'Não é improvável' que IPCA supere o teto da meta, diz IBGE    "Tal atitude visa também a evitar que se consolide um ambiente de pessimismo inflacionário no qual a política monetária perderia eficiência", afirmou, no encerramento da Conferência O Impacto do Brasil na Economia Global, promovida pela Sociedade Americana (Americas Society) e o Conselho das Américas (Council of the Americas) em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo.   Meirelles enfatizou que não se deve esperar do Banco Central do Brasil uma atitude complacente quanto à inflação. "Os formadores de opinião e formadores de preços não devem ter dúvidas quanto à disposição da autoridade monetária de tomar decisões visando a promover a convergência da inflação para o centro da meta em 2009", disse.   Durante o anúncio da definição da meta para o IPCA em 2010 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), houve rumores de mercado no sentido de que o BC poderia ser mais leniente com a inflação até 2010. Esta interpretação teve como base a expressão usada pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, de que a inflação seria convergida para a meta "no máximo" até 2010.   O presidente do BC disse hoje que tem convicção de que esta postura trará, em última instância, os menores custos para a atividade econômica e para a sociedade. "E contribuirá para consolidar as fundações de uma estrutura econômica sólida, eficiente e eqüitativa", afirmou.   Correção   Meirelles salientou que o ciclo de exportação de deflação da China e da Índia para o resto do mundo por meio de uma queda de preços de suas exportações acabou. "O ciclo chegou ao final com o aumento do preço das matérias-primas ditado pelo descompasso entre a expansão da oferta e o forte crescimento da demanda", avaliou.   Ele disse que o período entre o início da década de 90 e meados de 2007 foi apelidado pelos economistas de "era da grande moderação", quando a inflação parecia permanentemente estabilizada em níveis baixos, graças ao aumento da credibilidade dos bancos centrais.   Meirelles acrescentou que também contribuíram nessa época os avanços da produtividade, associados ao progresso da tecnologia da informação e aos efeitos benéficos da globalização. Ele lembrou que neste ambiente benigno, que vigorou até 2007, os BCs de economias maduras adotaram políticas monetárias neutras ou às vezes expansionistas por períodos prolongados de tempo.   "Os últimos 12 meses viram uma substancial mudança nesse cenário: uma grave crise financeira originada exatamente no setor imobiliário dos Estados Unidos", disse. Ele acrescentou que essa turbulência atingiu as economias desenvolvidas e, em escala global, a pressão de demanda sobre a disponibilidade de fatores de produção levou a uma substancial aceleração inflacionária.   "Os Bancos Centrais vivem hoje um ambiente mais complexo e desafiador do que aquele vivido nos anos da chamada 'grande moderação'", comparou. Meirelles lembrou que as respostas das autoridades monetárias têm variado, mas que a ênfase na necessidade de preservar a estabilidade de preços continua na ordem do dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.