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BC quer inflação no centro da meta em 2009, diz Meirelles

Segundo presidente do Banco Central, mercado já conta com desaceleração de preços no próximo ano

Célia Froufe, da Agência Estado,

01 de agosto de 2008 | 17h40

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reforçou nesta sexta-feira, 1º, que o objetivo da autoridade monetária é trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, já em 2009. De acordo com ele, as expectativas do mercado já contam com uma desaceleração da taxa de inflação no próximo ano. Segundo a pesquisa Focus divulgada segunda-feira, a mediana das projeções dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano estava em 6,58%; para 2009, em 5%; para 2010 e 2011, em 4,5%; e para 2012, em 4,40%. Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço Meirelles destacou que os analistas apresentam suas previsões com base na expectativa de atuação de política monetária do Banco Central. "Eles levam em conta que o Banco Central não vai só assistir (o movimento de alta e de baixa da inflação). Eles esperam que, com medidas adequadas, a inflação convirja para a meta", disse, durante palestra na sede do Rotary Club de São Paulo, onde recebeu o troféu Ateneu Rotário pelo seu destaque na área econômica. No mesmo evento, Meirelles destacou que o consumo das famílias vem crescendo "de forma substantiva" e prova disso é que o comércio já acumula expansão de 10,9% das vendas neste ano até maio, com destaque para o segmento de automóveis - que no mesmo período cresceu 21,4%. O presidente do BC voltou a dizer que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) vem ocorrendo com base na atividade doméstica e que a taxa de desemprego vem caindo substancialmente. Ele lembrou que em 12 meses, até junho, foi criado 1,883 milhão de empregos formais no País. O ritmo da produção industrial também revela, na opinião de Meirelles, que o empresário acredita que o Brasil está crescendo, apesar das incertezas internacionais e, que as expectativas são de expansão nos próximos anos, ainda que em maior ou menor intensidade. Durante sua palestra, ele informou que o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado em quatro trimestres, até março deste ano, apresentou expansão de 5,8% e os investimentos no mesmo período cresceram 15%. Para ele, o crédito também vem apresentando fortes taxas de crescimento e isso só é possível porque a inflação está previsível e baixa. "Incerteza não faz as pessoas tomarem dinheiro e essa (o crédito) é uma das molas propulsoras do crescimento do País", analisou. Meirelles lembrou que o País sofreu críticas em relação a sua distribuição de renda por séculos mas, que de 2005 a 2007, 20 milhões de pessoa saíram da pobreza e entraram na classe média. "Este é um movimento de grande proporção", afirmou. "A estabilização do País também passa pela questão social", afirmou. Na avaliação de Meirelles, os dados apresentados hoje durante sua palestra mostram que a obtenção do grau de investimento pelo Brasil, ao final de abril, não se deu apenas por questões superficiais. "O momento é de profunda transformação; e de transformação para melhor", ressaltou. Meirelles lembrou que a última vez em que compareceu a um evento do Rotary Club foi há dez anos. "O Brasil está em uma situação substancialmente mais sólida e melhor do que naquela época. Hoje o País já é uma realidade", avaliou. Ao final de sua palestra, o presidente do BC ressaltou que o seu intuito era o de apresentar uma visão de longo prazo sobre o Brasil. "Quem quiser saber as projeções de curto prazo do BC, basta ler a ata do Copom", disse referindo-se ao documento divulgado ontem pela autoridade monetária e que foi confeccionado durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que decidiu por elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano.

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