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BC reafirma que política monetária mira a inflação

Não deixou de ser uma novidade o modo explícito com que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou que não pretende, pelo menos em futuro próximo, promover cortes na taxa básica de juros (Selic). É raro encontrar, na comunicação do Banco Central com o mercado, menção tão direta e sem margem a interpretações como a inserida no antepenúltimo parágrafo da ata da reunião de julho do Copom.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2014 | 02h03

Ali está escrito, para impedir o surgimento de qualquer dúvida, que a ação de momento "não contempla redução do instrumento de política monetária". É possível que a rápida disseminação da ideia de que o BC se preparava para reduzir os juros tenha levado à incorporação desse claro desmentido a um texto que, em linhas gerais, repetiu a ata anterior. Mais do que procurar dissolver ruídos no mercado - as curvas curtas dos juros já estavam apontando para baixo -, a intenção pode ter sido a de reafirmar que a política monetária mira, sem a concorrência de outras, o controle da inflação e que, embora leve em consideração o comportamento da atividade econômica, para calibrar a política monetária, não lhe cabe administrá-lo.

São pelo menos dois os pontos destacados na ata que ajudam a entender a decisão de estabilizar a Selic nos atuais 11% por um prazo relativamente longo - possivelmente além da virada do calendário de 2014 para 2015. De um lado, a constatação de que a inflação continua resistente e continuará alta "nos próximos trimestres". No acumulado em 12 meses, de fato, a inflação medida pelo IPCA continuará a subir ao longo do segundo semestre, com possibilidades de chegar perto de 7% no fim do terceiro trimestre. De outro, a convicção de que a ação da política monetária, cumulativa e com resultados defasados, ainda não esgotou os efeitos da forte alta de 3,75 pontos na taxa Selic, promovida no último ano e meio.

O esfriamento da atividade econômica, em parte provocado pela própria política monetária, é o elemento que junta essas duas pontas - a de que não se pode deixar de ser vigilante, como repete a ata, em relação à inflação, e a de que a elevação já promovida nos juros será suficiente para reverter a atual alta dos preços. O BC acredita que "o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013". Com a descompressão da demanda, ainda não inteiramente completada, mas com muitos sinais de evidência, faz sentido esperar que a inflação comece a arrefecer e sua curva passe a se deslocar, devagar e sempre, na direção do centro da meta de 4,5%.

Projeções atualizadas da marcha do IPCA até os "trimestres finais do horizonte de projeção", como descrito na ata do Copom, mostram existir espaço para um recuo consistente da inflação, no decorrer de 2015 e 2016, até um ponto mínimo de 5,5%, em 12 meses, em novembro ou dezembro de 2016. A dúvida é se o longo período de estacionamento da Selic não embute riscos maiores de ser atropelado por choques de oferta ou efeitos negativos de turbulências não previstas na economia internacional.

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