BC rebate crítica sobre efeito da Selic em investimentos

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, rebateu hoje duas críticas recorrentes de analistas econômicos contra os efeitos potenciais de um aumento da taxa básica de juros brasileira, a Selic (hoje em 11,25% ao ano), sobre os investimentos e o câmbio. Mesquita lembrou que boa parte dos empresários nacionais se financia pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que ontem foi mantida em 6,25% ao ano, para o segundo trimestre de 2008, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Uma outra parte consegue se financiar no exterior", disse Mesquita, citando como exemplo os recursos que a Vale conseguiu para comprar a mineradora anglo-suíça Xstrata, que por outros motivos acabou não sendo vendida. Em relação ao câmbio, Mesquita considera que a preocupação em que uma taxa de juros mais alta valorize o real ante o dólar e influencie negativamente o déficit em conta corrente (saldo negativo de todas as transações do País com o exterior), "é uma questão de inverter a lógica". Mesquita interpreta que o déficit em conta corrente deve ser visto sob o regime de câmbio flutuante, vigente no Brasil. Nesse caso, a taxa de câmbio é administrada pelo mercado, que caso venha a se sentir desconfortável em financiar o déficit, vai ajustar o câmbio. "O Brasil tentou fixar o câmbio via estatal durante décadas e parece que não foi um grande sucesso", ironizou Mesquita. O diretor do BC defendeu o regime de câmbio flutuante e ressaltou que ele é ainda melhor atualmente em relação a outras épocas em que o Brasil ainda tinha uma grande parte da dívida indexada ao dólar.

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