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BC: recuperação global dever ocorrer só em 2010

O Banco Central tem como cenário mais provável uma recuperação da economia global apenas em 2010. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pela autoridade monetária, a crise econômica global ainda não apresenta "sinais convincentes" de arrefecimento, apesar de diversas medidas expansionistas adotadas pelo Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) e outros bancos centrais. Para o BC brasileiro, as condições de crédito externo permanecem "bastante restritas".

FABIO GRANER E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

30 de março de 2009 | 11h22

"Em resumo, as perspectivas para a economia global se deterioraram adicionalmente desde a publicação do último relatório (em dezembro do ano passado), assim como o balanço de riscos, com viés ainda mais negativo para a atividade. Em consequência, o cenário mais provável indica que a recuperação econômica global, que para muitos analistas viria no segundo semestre de 2009, só ocorrerá em 2010", afirma o BC.

Segundo o BC, segue elevada a percepção de risco sistêmico na economia global, cujo cenário é de continuidade de contração da atividade econômica. "Ainda que os mercados financeiros tenham, recentemente, reagido positivamente às iniciativas das autoridades norte-americanas para lidar com a questão de ativos problemáticos em seu sistema bancário, resta ainda considerável incerteza sobre os desdobramentos futuros da crise financeira".

Para o BC, a amplitude da crise tem se mostrado mais abrangente do que o inicialmente previsto, principalmente no que se refere ao impacto nos mercados emergentes. De acordo com o BC, a depreciação cambial, ocorrida desde setembro de 2008, junto com a queda do preço das matérias-primas (commodities), têm se mostrado até o momento mais benignas do que o antecipado.

Entretanto, o BC avalia que a economia brasileira pode enfrentar a crise global sem rupturas de política econômica, diferentemente do que ocorreu, por exemplo, em 1999, quando o País abandonou o regime de câmbio fixo. "O arcabouço básico da política econômica, calcado no tripé metas para a inflação, ajuste fiscal e taxa de câmbio flutuante está consolidado e combina resiliência e flexibilidade", diz o BC.

Investimentos

O Banco Central previu também, no relatório, que haverá uma desaceleração nos investimentos na economia brasileira em 2009. O BC destaca, no entanto, que a situação pode evoluir para um cenário benigno, à medida que a demanda interna mostrar recuperação.

De acordo com o BC, o investimento, que vinha se configurando como o componente mais dinâmico da demanda doméstica, foi o que apresentou maior ajuste no quarto trimestre do ano passado. Segundo o BC, o agravamento da crise financeira mundial levou à deterioração do cenário para investimentos. "Além da reavaliação dos planos de investimento, em parte por causa da piora nas perspectivas para o crescimento da demanda da maior incerteza macroeconômica, as empresas enfrentam deterioração das condições de financiamento no que tange a prazos e custo de crédito", afirma o relatório.

Devido à queda nos preços das ações, afirma o documento, a opção pelo financiamento via mercado de capitais perdeu atratividade. "Além disso, a depreciação do real (ante o dólar ) pode ter determinado um aumento nos custos de bens de capital (máquinas e equipamentos) importados, com impacto adverso sobre o volume de investimentos", afirma o relatório.

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