BC reduz compulsório sobre depósito a prazo

O Banco Central decidiu hoje reduzir o compulsório sobre depósitos a prazo em R$ 300 milhões por instituição financeira. "A medida de caráter técnico visa equalizar condições de concorrência entre instituições de portes diferenciados tornando ainda mais sólido o sistema financeiro", diz o comunicado do BC. O compulsório sobre depósitos a prazo é integralmente recolhido em títulos públicos. A decisão do Banco Central tem por objetivo tentar diluir a concentração de liquidez (volume de recursos) que se instalou no sistema financeiro a partir da intervenção no Banco Santos e, conseqüentemente, proteger as instituições de pequeno porte. É provável que, com a medida, os bancos menores deixem de recolher compulsório, ou passem a recolher volumes muito pequenos. Dessa maneira, os títulos públicos que deveriam ser colocados nas mãos do BC podem ser utilizados pelas instituições para gerar caixa. Como é calculado o compulsório Para recolher o compulsório, o banco calcula a média móvel do volume de depósitos a prazo que ele tem em carteira. Desse resultado, ele subtraía R$ 20 milhões e, desse volume, recolhia o equivalente a 15% em títulos públicos. Esses papéis ficavam depositados no BC, sem remuneração. Agora, o banco passa a subtrair R$ 300 milhões da média móvel, o que pode permitir que bancos menores deixem simplesmente de fazer o depósito compulsório. Esses títulos podem ser vendidos no mercado secundário ou podem ser utilizados nas operações de giro entre as demais instituições. Por se tratar de papéis do Tesouro, é provável que os bancos tenham mais facilidade em obter os recursos de que precisam junto a outras instituições. Problema: bancos pequenos perderam recursos A concentração de liquidez que aconteceu no sistema esta semana tem como principal razão o fato de que houve um movimento de realocação de recursos dos grandes fundos de pensão e das administradoras de recursos. Grande parte deles detinha CDBs ou outros papéis do Banco Santos e tiveram de precificar estes papéis pelo valor atual de mercado. Isso trouxe prejuízo para estes investidores, já que os títulos do Banco Santos perderam valor depois de sua intervenção. Para cobrir as perdas, esses investidores retiraram recursos aplicados em instituições de pequeno porte para reaplicar em grandes bancos, o que resultou em perda de liquidez (volume de recursos) para os bancos pequenos que têm sua clientela formada, principalmente, por fundos ou administradoras de recursos.

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