BC reduz, de novo, a previsão de investimento externo

Adiamento de projetos reduz expectativa de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões em 2010, uma retração de 21%

Fabio Graner, Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O adiamento de projetos de investimentos no Brasil por parte de empresas estrangeiras levou o Banco Central a cortar a previsão de ingresso de dólares para investimentos produtivos no País em 2010. A expectativa para o Investimento Estrangeiro Direto (IED) no ano caiu de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões, uma retração de 21%. É a segunda redução do IED prevista pelo BC neste ano, já que no primeiro semestre havia estimado entrada de US$ 45 bilhões, reduzindo para US$ 38 bilhões em junho.

Entre os setores que mais adiaram projetos no Brasil estão os de metalurgia, automotivo e petróleo e gás. As montadoras estrangeiras trouxeram US$ 166 milhões para novos projetos no Brasil de janeiro a agosto. O valor foi 91,9% menor que o registrado em igual período de 2009, quando o mundo ainda se recuperava da crise financeira.

"Embora tivéssemos anúncios importantes de investimentos, alguns foram postergados, pois dependem da dinâmica da economia mundial, que apresenta crescimento inferior ao previsto", explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele diz que muitas multinacionais adiaram investimentos porque as sedes ainda têm dificuldade financeira.

Mas ele aposta que a recuperação da economia e os grandes eventos previstos para o País devem acelerar o ingresso de investimento estrangeiro.

"O IED cresce quando há crescimento econômico. Mas os números do BC mostram que a reação desse investimento está mais devagar que o previsto", diz o professor de economia da USP Fabio Kanczuk.

O BC também manteve a previsão de que a conta de transações corrente terá déficit de US$ 49 bilhões em 2010. O rombo será coberto parcialmente pelos US$ 30 bilhões que devem ingressar para o investimento produtivo. Mas, para fechar a conta, será preciso usar parte dos US$ 38 bilhões esperados para o investimento em ações e títulos de renda fixa.

{HEADLINE}Queda brusca

91,9 %

foi a redução nos investimentos das montadoras em 2010, em comparação com 2009

73,3%

foi a redução dos investimentos em projetos de metalurgia, de 2009 para 2010

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