BC reduz duração de leilão de compra de dólares

O Banco Central reduzirá de 10 para 5 minutos a duração dos leilões de compra de dólares no mercado à vista a partir de segunda-feira.

SILVIO CASCIONE E JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

17 de setembro de 2010 | 17h27

A decisão foi comunicada ao mercado junto com o resultado do segundo leilão feito nesta sexta-feira, sem mais comentários, e confirmada mais tarde pela assessoria de imprensa do BC.

O Banco Central tem realizado dois leilões de dólares por dia desde quarta-feira da semana passada, em uma tentativa de frear a queda do dólar por conta do volumoso ingresso de recursos no país.

"Acho que essa decisão do BC tem dois motivos. Um é que o BC quer dar mais agilidade ao mercado, deixar que opere sem a atuação do próprio BC por mais tempo. Assim, o mercado reagiria mais tempo aos elementos externos", disse o diretor de câmbio de uma corretora, que não quis ser identificado.

"A outra, é que o BC quer evitar dar muito tempo aos dealers para que fiquem especulando, armando posições ou mesmo esperando os 10 minutos do leilão. Talvez (o BC) pense que isso atrapalha, trava o mercado", completou.

O chefe da mesa de câmbio de um banco dealer, que participa diariamente dos leilões, vê poucas mudanças. "Não faz muita diferenca para a gente. É quase irrelevante."

Na opinião dele, a demora para o resultado do leilão aumenta a vulnerabilidade dos participantes. "Quando entra um leilão e eu vendo, por exemplo, 100 milhões (de dólares), até o BC divulgar o resultado, eu não sei se eu vendi 100 milhões ou não, e eu não sei se estou ganhando ou perdendo dinheiro."

Apesar de pequena, a mudança levantou suspeitas entre alguns profissionais de que a decisão faz parte de um conjunto de medidas para tentar surpreender o mercado e frear a valorização do real.

"Será que isso vai permitir que eles façam mais leilões ao longo do dia? Não está claro... Eles vão tentar manter o mercado cauteloso, mas sem agir de fato. Vamos ver por quanto tempo eles conseguem segurar o dólar com o 'gogó'", disse o chefe da mesa de operações de um banco estrangeiro, que preferiu não ser identificado.

O dólar fechou a sexta-feira em leve alta de 0,17 por cento, a 1,719 real, mas acumula queda de 4,7 por cento desde o final de junho.

A bilionária oferta de ações da Petrobras e diversas outras emissões de títulos são apontadas como a fonte da expressiva oferta de dólares no mercado local .

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