Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Novo governo terá alta de 2,4% no PIB, diz Banco Central

Primeiro ano de Bolsonaro também terá inflação de 3,9%, segundo prevê BC; neste ano, atividade econômica deve crescer 1,3%

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 10h08
Atualizado 20 de dezembro de 2018 | 22h16

BRASÍLIA - O Banco Central espera que, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o crescimento da economia brasileira seja um pouco mais robusto e que a inflação siga controlada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ontem, a instituição manteve a projeção de crescimento de 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, com uma inflação de 3,9%. 

Essas projeções de inflação levam em conta as estimativas do mercado financeiro para a Selic (a taxa básica de juros, hoje em 6,50% ao ano) e para o dólar nos próximos meses. Na visão do BC, o IPCA – o índice oficial de preços – deve encerrar 2018 em 3,7% e, no próximo ano, subir um pouco, mas para níveis ainda confortáveis. A meta de inflação perseguida pelo BC em 2019 é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (taxa de 2,75% a 5,75%). Já a previsão para o PIB este ano é de alta de 1,3%. 

Durante entrevista coletiva, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que os principais riscos para cumprimento das metas de inflação estão ligados, por um lado, à ociosidade da economia – que puxa a inflação para baixo – e, por outro, ao andamento das reformas e ao cenário externo – que podem impulsionar os preços no País. 

“Quando explicitamos na ata (do Comitê de Política Monetária), colocamos essa discussão, de que temos projeções de inflação bem comportadas por um lado”, comentou Goldfajn. “Entretanto, também observamos risco relacionado a reformas e ao cenário externo. O risco com reformas tem diminuído. Já o risco de ter inflação mais baixa tem aumentado”, acrescentou. 

Para uma parcela do mercado financeiro, o cenário descrito por Goldfajn sugere que a Selic tende a permanecer no atual nível – o mais baixo da história – nas próximas reuniões do Copom. 

“À luz do cenário básico com o qual trabalhamos, sem novos choques que alterem o balanço de riscos prospectivos para a inflação e das sinalizações apontadas pelo Copom, avaliamos que a Selic ficará estável ao longo de todo o primeiro semestre de 2019, com altas em ritmo gradual a partir do segundo semestre, alcançando 7,25% no final do próximo ano”, disseram economistas do Bradesco, em relatório enviado a clientes.

Segundo o economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, o BC deverá manter a Selic em 6,50% ao longo de 2019. 

Em um sinal de que o BC pretende, de fato, esperar uma definição mais clara do cenário para as reformas, antes de mexer na Selic, Goldfajn voltou defender ontem que é preciso ter “cautela, serenidade e perseverança” nas decisões sobre juros./ COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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