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BC reduz projeção de crescimento do PIB de 4% para 3,5%

O Banco Central reduziu a projeção para o crescimento do PIB em 2006 de 4% para 3,5%, segundo o relatório trimestral de inflação, divulgado pelo BC na manhã desta quinta-feira. A redução se deve à "desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre em ritmo maior do que então se antecipava", segundo o relatório.A desaceleração ficou concentrada nos setores de agropecuária e indústria. As estimativas do BC feitas com base no cenário de referência, com juros de 14,25% ao ano e câmbio a R$ 2,15, para o crescimento da agropecuária este ano foram reduzidas de 3,6% para 3%. Para a indústria, a projeção foi reduzida de 5,4% para 4%."Relativamente à agropecuária, a revisão decorreu principalmente do fraco desempenho das produções de aves e leite", diz o relatório. De acordo com o documento, algumas lavouras com peso significativo sobre o PIB também tiveram desempenho pior do que esperado anteriormente.As lavouras de arroz e algodão são exemplos disso. "Para o terceiro trimestre, as perspectivas para o resultado do setor são favoráveis, reflexo dos crescimentos de 7,7% para a safra de cana de açúcar e de 18,8% para a de café", diz o relatório.Ainda de acordo com o relatório, a pecuária também deve apresentar recuperação neste terceiro trimestre do ano. A expectativa, de acordo com o BC, é baseada no crescimento das exportações do setor nos meses de julho e agosto. IndústriaDe acordo com o relatório, as projeções de crescimento de todos os setores da indústria foram revisadas para baixo. "A estimativa para o crescimento anual da indústria extrativa passou de 9,4% para 7,1%, em razão, principalmente, das paradas em plataformas de petróleo registradas em junho e julho", diz o documento do BC. Para a indústria de transformação, as previsões de expansão foram reduzidas 4% para 2,8%. A queda, segundo o Relatório de Inflação, ocorreu em função do menor ritmo de recuperação do setor no segundo trimestre do ano.As estimativas de expansão do setor de construção, por sua vez, recuaram no Relatório de Inflação de 7,6% para 5,7%. Apesar disso, o documento do BC ressaltou que houve uma recuperação do setor em julho. "O crescimento dos serviços utilidade pública, refletindo menor crescimento da indústria de transformação, foi revisto de 5,2% para 3,9%".Para o setor de serviços como um todo, a projeção de expansão foi revisada de 3% para 2,8%. A queda, neste caso, foi influenciada pelas reduções das estimativas de crescimento para os setores de agropecuária e da indústria. A redução só não foi maior em função da evolução favorável da demanda doméstica. ProjeçõesO documento destaca que os erros na projeção do PIB são "consideravelmente maiores do que no caso de projeções de inflação". Na projeção do crescimento da economia, o BC considerou o cenário de referência em que os juros são constantes em 14,25% ao ano e a taxa de câmbio é constante em R$ 2,15 até o fim de 2006. A redução na projeção do crescimento econômico confirma as expectativas do mercado financeiro em relação ao documento. Mas a projeção do BC ainda está acima da mediana das projeções de mercado. Segundo a última pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira, a mediana das projeções para o crescimento da economia está em 3,09%.Para a taxa de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o relatório do BC reduziu a projeção de expansão de 8,3% para 7,1%. A queda, de acordo com o documento do BC, ocorreu em função do crescimento do segundo trimestre ter ficado em 2,9% na comparação com o mesmo período do ano passado."Para o consumo das famílias, favorecido tanto pela continuidade da flexibilização da política monetária como pela recuperação da massa salarial, persiste a estimativa de elevação de 4,2% para 2006", aponta o relatório.Redução no IPCAO relatório trimestral de inflação divulgado pelo BC mostra que houve uma redução na projeção para o IPCA em 2006 no cenário de referência. Para este ano, a projeção do IPCA caiu de 3,8% para 3,4%, e para 2007, subiu de 4,2% para 4,3%.No chamado cenário de mercado em que o BC considera a trajetória de juros e câmbio projetadas pelo mercado, a expectativa à nova projeção de inflação ficou em 3,5% para 2006, ante 4,6% no relatório de junho. Para 2007, ficou estável em 5,2%. A projeção dos agentes financeiros para a taxa Selic é de uma média de 14,71% no terceiro trimestre de 2006 que se reduz para 14,10% no último trimestre do ano e para 12,88% no último trimestre de 2007.Já a trajetória para a taxa de câmbio parte de uma média de 2,17% no terceiro trimestre de 2006, atingindo 2,18% e 2,29% nos últimos trimestres de 2006 e 2007, respectivamente.A projeção para a inflação medida pelo IPCA no terceiro trimestre deste ano no cenário de referência do Banco Central caiu de 4,3% para 3,8% no acumulado em 12 meses encerrados em setembro. "A previsão central associada ao cenário de referência indica desaceleração da variação do IPCA acumulada em 12 meses, partindo de 3,80% no terceiro trimestre de 2006, até atingir 3,40% no último trimestre, abaixo, portanto, do valor central para a meta de 4,50% estabelecida pelo CMN", diz o BC no relatório.Para o primeiro trimestre de 2007, a inflação acumulada em 12 meses prevista no cenário de referência caiu de 3,4% para 3,0%, enquanto para o segundo trimestre do ano que vem caiu de 3,9% para 3,8% e para o terceiro trimestre de 2007 manteve-se em 4,2%, fechando o ano em 4,3%. O cenário de referência considera juros constantes 14,25% e dólar a R$ 2,15 até o final de 2006.TrajetóriaO relatório trimestral de inflação divulgado pelo BC destaca que a trajetória da inflação medida pelo IPCA desde o documento divulgado em junho "continuou refletindo desenvolvimentos favoráveis" e vai impactar de forma benigna os preços no futuro.O documento destaca que o IPCA está seguindo a trajetória de metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. "Segue se consolidando, portanto, um cenário benigno para a inflação, com potenciais repercussões sobre o comportamento dos preços nos anos à frente", diz o texto.De acordo com o BC, o regime de metas de inflação brasileiro "caminha para uma nova etapa, de consolidação da estabilidade, consubstanciada em uma trajetória de metas com valor central de 4,5% ao ano que deverá vigorar até 2008". O documento diz que é natural que nessa nova fase os preços gravitem dentro do intervalo da meta (dois pontos percentuais para cima ou para baixo) disponível para atuação do BC."Tal situação contrasta com o desempenho observado durante o processo de desinflação dos últimos anos, quando, durante a maior parte do tempo, a inflação situou-se sistematicamente acima do valor central da trajetória de metas, ainda que permanecendo dentro da margem de tolerância a partir de 2004", aponta o documento. Segundo semestreO relatório trimestral afirma que, apesar da desaceleração do ritmo de atividade no segundo trimestre deste ano, o BC espera que o nível de atividade tenha uma aceleração no segundo semestre de 2006."O recuo das taxas de inflação, a melhora nos indicadores referentes ao mercado de trabalho, a elevação da renda real, o aumento das intenções de investimento bem como os efeitos da flexibilização da política monetária são fatores que respaldam as perspectivas de um ritmo mais acelerado para o crescimento da economia ao longo dos próximos trimestres", diz o texto do relatório.O documento também classificou de "antecipada" a desaceleração da economia no segundo trimestre, "embora tenha ficado abaixo do esperado". Influência AmericanaNo relatório, o BC informou que ganhou importância no cenário externo o temor de que o aperto monetário realizado nos Estados Unidos tenha sido "excessivo". Segundo o documento, a mudança mais significativa em relação ao relatório de inflação de junho ocorreu no setor externo em torno das dúvidas sobre o ciclo de elevação de juros nos Estados Unidos."Ganhou importância o temor de que esse aperto monetário possa ter sido excessivo, e que, portanto, a economia norte-americana possa sofrer uma desaceleração mais acentuada do que vinha sendo antecipada ao longo dos últimos meses, com alguns analistas contemplando até mesmo a possibilidade de ocorrência de uma recessão em 2007", aponta o relatório.O BC afirma que a evolução da economia americana ganha importância pelo impacto que uma desaceleração pode ter na economia mundial e, especialmente, "sobre as economias emergentes, a exemplo da brasileira".O relatório destaca ainda que os preços do petróleo, "fator sistemático de incerteza nos últimos anos, continua apresentando alta volatilidade, ainda que a trajetória de elevação dos preços tenha sido revertida recentemente".Esta matéria foi alterada às 10h16 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2006 | 09h08

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