BC reduz projeção de inflação para 2003 e eleva a de 2004

O Banco Central (BC) aumentou para 4,2% a previsão de inflação medida pela IPCA para 2004. Na previsão anterior, o BC estimava uma inflação de 4,1% para o próximo ano. A meta oficial do governo para a inflação de 2004 é 5,5%, com uma margem de variação de 2,5 pontos porcentuais. Para 2003, o BC reduziu de 10,8% para 10,2% a sua estimativa do IPCA no fim do ano. A meta ajustada de inflação fixada pelo governo para 2003 é de 8,5%. As novas estimativas constam no Relatório de Inflação, que está sendo divulgado pelo BC. O documento é uma publicação trimestral do BC, que traz informações sobre o desempenho do regime de metas de inflação, com previsões atualizadas sobre o comportamento dos preços e as condições das economias brasileira e internacional que orientam as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).Para o cálculo das suas estimativas, o BC utilizou a taxa de câmbio de R$ 2,85 vigente na véspera da última reunião do Copom e uma taxa de juros constante de 26% ao ano. No relatório de inflação de março a taxa de câmbio utilizada foi de R$ 3,40 e uma taxa de juros maio, de 26,5% ao ano. De acordo como o Relatório de Inflação, a trajetória central esperada para a inflação acumulada em 12 meses atinge o pico de 17% no segundo trimestre de 2003 e cai continuamente a partir daí. "Há duas quedas pronunciadas na trajetória: a primeira, entre o terceiro e quarto trimestres de 2003, em que a inflação cai de 15,9% para 10,2%; e a segunda entre o quarto trimestre de 2003 e primeiro trimestre de 2004, quando a inflação acumulada cai de 10,2% para 5,9%", afirma o documento. Segundo o BC, essas quedas refletem a substituição das inflações elevadas do quarto trimestre de 2002 (6,6%) e do primeiro trimestre de 2003 (5,1%) por inflações bem mais baixas: 1,3% e 1,1% por trimestre. Projeção para PIB deste ano recuaO Banco Central reduziu mais uma vez a sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da economia brasileira em 2003. Agora o BC projeta um crescimento de apenas 1,5% do PIB este ano. A nova previsão consta no Relatório de Inflação, divulgado hoje pelo BC. No relatório de inflação de março, o BC estimava um crescimento em 2003 de 2,2%. O BC explica no novo relatório que a nova previsão de 1,5% foi feita com base em cálculos de um cenário básico que supõe a manutenção da taxa de juros em 26% até o final de 2004. O Relatório de Inflação não traz previsão de crescimento para 2004. O documento enfatiza que os erros de previsão associados às projeções de crescimento do PIB são consideravelmente maiores que no caso das projeções de inflação. "O cálculo do produto é, por definição, mais complexo e menos preciso do que a inflação", justifica o BC no Relatório. Preços ao consumidor tendem a se acomodar Os preços ao consumidor tendem a se acomodar sem pressões para novos reajustes, destaca o Relatório de Inflação do Banco Central. O documento ressalta, no entanto, que ainda existe "alguma resistência a que preços dos bens comercializáveis no varejo reflitam toda a apreciação cambial observada". O Relatório chama a atenção para o fato de que a inflação tem apresentado trajetória declinante ao longo deste ano. De acordo com o documento, um fator que contribuiu para a inflação ainda elevada no primeiro trimestre do ano foi o aumento da persistência inflacionária. "A maior persistência da inflação significa que aumenta a proporção de reajustes de preços baseados na taxa de inflação passada, e, como contrapartida, reduz-se a parcela de preços cujos reajustes baseiam-se nas expectativas de inflação", afirma o Relatório, que tem publicação trimestral. Como conseqüência dessa maior persistência, a velocidade de queda da inflação mensal tem sido menor que a esperada, ressalta o BC. "Somente em abril, a inflação medida pelo IPCA voltou a fixar abaixo de 1% e, em maio, em 0,61%", pondera o BC no Relatório de Inflação.

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