BC reduz projeção para inflação oficial em 2010 para 5%

As estimativas para o IPCA em 2011 ficaram em 4,6%, aponta relatório

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

30 de setembro de 2010 | 08h45

O Banco Central reduziu as projeções para a inflação oficial em 2010. No cenário de referência, a estimativa para o IPCA foi reduzida de 5,4% para 5%, no Relatório Trimestral de Inflação de setembro, divulgado nesta quinta-feira, 30, pelo Banco Central. No cenário de mercado, a previsão para o IPCA neste ano também recuou, de 5,3% para 5%.

Segundo o BC, as projeções no cenário de referência são feitas com base na expectativa de manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,75 e Selic em 10,75% ao ano. Já o cenário de mercado considera as estimativas dos economistas para a trajetória de juros e câmbio nos próximos meses. Segundo o BC, diminuiu a chance de a inflação ultrapassar o teto da meta de inflação tanto em 2010 quanto em 2011.

Para 2011, a estimativa no cenário de referência para o IPCA caiu de 5% para 4,6%. No documento anterior, referente a junho, as previsões foram construídas com câmbio em R$ 1,80 e Selic de 10,25%.

No cenário de mercado, a expectativa para o IPCA em 2011 seguiu em 4,6%, igual patamar projetado em junho. Tanto para 2010 quanto para 2011, as previsões para a inflação seguem acima do centro da meta, que é de 4,5% para ambos os períodos e também para o ano de 2012.

Evolução dos riscos para inflação 'evolui favoravelmente'

O Banco Central avalia que a evolução dos riscos para a inflação "evoluiu favoravelmente" desde o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em junho. De acordo com o documento de setembro, no cenário interno, "o risco de descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e a capacidade de expansão da oferta continua presente, mas em menor magnitude do que anteriormente".

Para os diretores do BC, a demanda deve se expandir de maneira "mais próxima do condizente". Esse ambiente mais favorável para a inflação foi gerado, na percepção do BC, graças à "mudança de postura de política monetária" adotada pela autoridade monetária a partir de abril de 2010, quando teve início o ciclo de aperto monetário no País, e também pela retirada dos estímulos fiscais adotados durante a crise.

Apesar do cenário mais tranquilo, o BC alerta que há outro fator de risco interno que é o "aquecimento dos mercados de fatores", já que tem diminuído a margem de ociosidade da economia brasileira.

Projeções trimestrais

No cenário de referência, o BC também divulgou a revisão das estimativas trimestrais para a inflação. No acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2010, a estimativa central caiu de 5,1% para 4,7%. Já para o primeiro trimestre de 2011, a expectativa recuou de 4,9% para 4,4%. Para os 12 meses encerrados ao fim do segundo trimestre do próximo ano, a estimativa caiu de 4,8% para 4,4%. Para o terceiro trimestre de 2011, a previsão cedeu de 5% para 4,7%.

O BC também reduziu a estimativa para a inflação acumulada em 12 meses até o primeiro trimestre de 2012 de 5,1% para 4,7%. Já para o segundo trimestre de 2012, a estimativa cedeu de 4,8% para 4,4%. Por fim, a o BC estimou pela primeira vez o IPCA em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2012, em 4,4%. A meta de inflação para 2010, 2011 e 2012 é de 4,50%, com margem de dois pontos para cima e para baixo.

Mercado

No cenário de mercado, o BC também divulgou a queda da estimativa para o IPCA no acumulado em 12 meses até o terceiro trimestre de 2010, que caiu de 5% para 4,7%. Para o mesmo período encerrado no primeiro trimestre de 2011, a projeção cedeu de 4,8% para 4,5%. Para o segundo trimestre do ano que vem, houve uma queda de 4,6% para 4,4%. Já para os 12 meses encerrados em setembro de 2011, a previsão cedeu de 4,8% para 4,7%.

O BC também estimou o IPCA acumulado em 12 meses até o primeiro trimestre de 2012, que caiu de 4,7% para 4,6%. Para o período até trimestre seguinte, ou seja, o segundo de 2012, a previsão central no cenário de mercado manteve-se em 4,3%. No documento, a autoridade monetária também apresentou pela primeira vez a expectativa para a inflação em 12 meses até o terceiro trimestre de 2012, que é de 4,30%.

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