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BC reduz taxa Selic para 9% e Brasil deixa de ser o número 1 em juros reais

Em decisão unânime, Copom faz o esperado pelo mercado e corta taxa básica em 0,75 ponto; Rússia assume liderança de ranking global

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, LEANDRO MODÉ / SÃO PAULO , O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h04

O Banco Central anunciou na noite de ontem o sexto corte seguido do juro básico da economia, que caiu mais uma vez 0,75 ponto. Agora, a Selic está em 9% ao ano. A redução era amplamente prevista pelo mercado financeiro. Com a decisão, o Brasil deixa o primeiro lugar do ranking mundial dos juros reais, que ocupava desde janeiro de 2010. A líder agora é a Rússia.

Em tom não esperado, o comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) após a decisão deixa a porta aberta para que o corte continue em maio ou ainda que o ciclo seja interrompido. Agora, o mercado espera a ata na próxima quinta-feira para ter pistas sobre os próximos passos.

A hipótese de continuidade dos cortes deve voltar a ganhar espaço porque o texto do Copom dá muita atenção à trajetória positiva dos preços.

"Permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação", cita o documento. "O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária".

Um cálculo elaborado pelo economista Jason Vieira, do Banco Cruzeiro do Sul, mostra que, com a Selic a 9%, a taxa de juro real no Brasil caiu para 3,4% ao ano, inferior à da Rússia, que hoje está em 4,2%.

Juro real é a taxa que desconta os efeitos da inflação. Nesse cálculo, Vieira desconta da Selic a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Hipóteses. "É impressionante como o Banco Central consegue surpreender porque deixou a porta aberta para reduzir novamente a taxa de juros ou mesmo optar por uma parada técnica", disse a economista-chefe da Corretora Icap Brasil, Inês Filipa.

"As duas hipóteses são possíveis. Agora, precisamos esperar a ata." A hipótese de continuidade dos cortes em maio, na próxima reunião do Copom, começou a ser citada pelos analistas há duas semanas após a inflação de março.

No mês passado, o IPCA subiu 0,21%, menos da metade de fevereiro e abaixo das expectativas do mercado. O número fez renascer a hipótese de Selic abaixo dos 9%.

Dias depois, porém, a possibilidade foi rechaçada pelo presidente do Bando Central, Alexandre Tombini, que afirmou que os preços têm "caminhando conforme o esperado".

Por isso, não haveria necessidade de se mudar a estratégia da casa. A frase foi um balde de água fria sobre os investidores que apostavam em continuidade dos cortes.

Ainda que o texto do Banco Central cite que a inflação não preocupa, após os seguidos cortes de juro e as medidas do governo de incentivo ao consumo, o ritmo da economia será maior no segundo semestre, o que também deve acelerar os preços.

Expectativa. Para o mercado, a inflação oficial - medida pelo IPCA - será de 5,08% neste ano e 5,50% em 2013. Para segurar a remarcação, o mercado prevê, inclusive, alta dos juros a partir de abril do próximo ano.

Há, ainda, uma preocupação estrutural: a indexação. Influência de um histórico inflacionário, vários setores têm dependência dos índices passados para determinar preços.

Isso explica por que aluguéis e tarifas são sempre reajustados conforme, pelo menos, a inflação passada.

Além disso, a indexação também determina a remuneração obrigatória da poupança, que paga a Taxa Referencial (TR) acrescida de 0,5% ao mês.

Neste caso, a continuidade da queda do juro poderia incentivar a migração, para as cadernetas, de recursos atualmente aplicados em títulos públicos federais, o que atrapalharia a gestão da dívida pública.

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