BC: renda em emergentes deve manter alimentos caros

O Banco Central (BC) prevê que os preços dos alimentos devem continuar em alta nos próximos anos. No Relatório de Inflação divulgado hoje, a autoridade monetária prevê que a renda crescente nos países emergentes deve liberar ainda mais a demanda reprimida por comida nesses mercados, o que deve manter os preços elevados por mais tempo."Esse movimento, tendo em vista as perspectivas de continuidade do crescimento de economias com elevados índices populacionais e de pobreza, se constitui em indicativo de continuidade de pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos anos", destaca o relatório no texto especial "Inflação de Alimentos".A China é citada como exemplo dessa nova demanda. O texto afirma que o preço da carne de porco - muito popular na culinária chinesa - aumentou 68,3% nos 12 meses encerrados em abril. Em igual trajetória, óleos e gorduras comestíveis tiveram alta de 46,6% no mesmo período. Aumentos como esses, aliados às condições climáticas adversas, fizeram com que a inflação chinesa de alimentos atingisse 22,1% nos 12 meses encerrados em abril."Apesar da adoção de medidas governamentais incluindo congelamento de preços administrados, emprego de estoques reguladores de carne de porco e imposição de impostos sobre a exportação de grãos, essa evolução reflete o aumento do consumo de alimentos ricos em proteína animal", cita o texto.Estimativas mostram que o consumo médio per capita de carne pelos chineses deve atingir 50 quilos por habitante ainda este ano. A quantidade é 150% maior que a registrada no final dos anos 80, quando o consumo girava em torno de 20 quilos anuais. "A alteração do hábito alimentar acompanha o aumento da renda e o fenômeno de migração para as cidades", diz o texto do BC.Ainda sobre o aumento da demanda, o documento afirma que, "embora as previsões para 2008 incorporem safras recorde de grãos, as elevações nas demandas por milho e trigo deverão superar os respectivos crescimentos na oferta dessas commodities (produtos básicos)". Na avaliação do BC, esse descompasso "fortalece a pressão sobre os preços".Além dos novos consumidores, há pressão adicional na Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. O BC lembra que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) fez alerta recente para a dificuldade dos produtores desses países, o que pode diminuir a safra nesses locais. O texto afirma que isso tem "potencial de gerar novos impactos sobre os preços de alimentos no curto prazo."

FERNANDO NAKAGAWA E FÁBIO GRANER, Agencia Estado

25 de junho de 2008 | 18h31

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