BC repassa ao mercado US$ 1,276 bi

Pela primeira vez, são feitos dois leilões de empréstimo de dólares

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

O Banco Central (BC) atuou ontem, com força, no mercado para tentar restabelecer a oferta de crédito aos exportadores. Pela primeira vez desde que começou esse tipo de operação, fez dois leilões de empréstimo de dólares para o comércio exterior. Foi repassado US$ 1,276 bilhão ao mercado.A ação tenta amenizar o cenário, revelado por levantamento, em que a média de empréstimos para os exportadores nos seis primeiros dias úteis de janeiro diminuiu 25% na comparação com dezembro, para US$ 109,83 milhões, no pior nível desde o agravamento da crise global, em setembro. No fim da manhã, o BC ofertou até US$ 1,5 bilhão em recursos destinados ao financiamento das exportações brasileiras. Na operação, o BC aceitou propostas e emprestou US$ 276 milhões a nove bancos. Sem conseguir colocar todos os dólares oferecidos, a autoridade monetária voltou à tarde, com a oferta de mais US$ 1 bilhão. Dessa vez, oito instituições levaram o lote integral. O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, diz, no entanto, que não é a falta de crédito que tem prejudicado o setor. Para ele, o problema é que a crise mundial diminuiu o volume de vendas no início do ano. Com menos pedidos, empresas reduziram o ritmo de produção e passaram a procurar menos os bancos para realizar empréstimos."Não falta crédito, como nos meses passados, faltam compradores. Já que não estamos vendendo para o exterior, não há necessidade de tomar empréstimo para financiar a produção", afirma. Nas empresas, esse cenário se reflete em desligamento das linhas de montagem e, em um segundo momento, demissões. FLUXO Com a queda da exportações e manutenção das importações, o fluxo de dólares na balança comercial teve a saída líquida de US$ 510 milhões nos seis primeiros dias úteis de janeiro. Na conta financeira, que registra o movimento de investidores, remessa de lucros e outras operações, houve a saída líquida de mais US$ 363 milhões. Assim, o levantamento preliminar de janeiro mostra a saída de US$ 873 milhões do País no mês.

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