BC ressalta inflação benigna, segue atento à economia

O presidente do Banco Central e o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmaram na quinta-feira que a economia brasileira está se recuperando e seu impacto sobre os preços precisa ser observado, mas que a ociosidade ainda existente e as expectativas de inflação dentro da meta garantem um cenário benigno.

SILVIO CASCIONE E VANESSA STELZER, REUTERS

17 de dezembro de 2009 | 12h38

Para economistas, o crescimento ressaltado pelo BC deve levar a uma retirada dos estímulos econômicos, entre eles os juros em recorde de baixa, mas que a tranquilidade com a inflação significa que uma alta da Selic não é iminente.

Henrique Meirelles disse que a economia está crescendo fortemente e que a autoridade monetária está preparada para tomar as ações necessárias caso haja pressão inflacionária, mas ressaltou que as expectativas de inflação estão consistentes com a meta do ano que vem e que o BC tem as ferramentas para manter a estabilidade dos preços em 2010.

Em sua ata, o Copom apontou que a economia ainda apresenta uma ociosidade que não deve ser eliminada rapidamente, o que, junto às atuais expectativas contidas de inflação, garante a continuidade de um cenário benigno para os preços.

O documento também apontou que os estímulos econômicos adotados na crise mundial terão seus efeitos sentidos com defasagem e que estará atento a esse movimento para garantir a continuidade da estabilidade dos preços e que agirá conforme for necessário nesse sentido.

"O BC tem os mecanismos e o compromisso para manter a estabilidade dos preços em 2010", disse Meirelles, em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da TV NBR.

"O ponto importante é o seguinte: o Banco Central tem o compromisso com uma meta de inflação... O Banco Central do Brasil toma todas as medidas necessárias para que essa meta seja atingida."

Ele enfatizou que as perspectivas de inflação estão dentro da meta. Segundo o Focus, o mercado projeta uma alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,31 por cento neste ano e de 4,50 por cento em 2010. A meta de ambos os anos tem centro em 4,50 por cento e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

"Diante da margem de ociosidade remanescente na economia... e do comportamento das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram favoráveis as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno", afirma a ata da última reunião do Copom, de 8 e 9 de dezembro, na qual a Selic foi mantida em 8,75 por cento ao ano.

BC ATENTO

Meirelles afirmou que a economia brasileira está crescendo "muito e não há dúvida que em algum momento sempre é possível que surja alguma pressão de preços". Caso isso ocorra, o BC adotará as medidas necessárias, segundo ele.

Para Roberto Padovani, estrategista-chefe do WestLB do Brasil, ao ressaltar o crescimento econômico, o BC deu uma sinalização muito suave de que pode vir a mudar de tom nos próximos comunicados, mas que por enquanto as previsões mais agressivas de alta da Selic devem ser contidas.

"É natural que quanto mais forte seja o crescimento... menor será a necessidade de um estímulo monetário na magnitude que ele vem dando e ele dá a entender que vai retirar em algum momento os estímulos dados na crise", disse o analista.

"Mas essa sinalização é compensada quando ele fala várias vezes que o quadro inflacionário é tranquilo. De modo geral, a avaliação é muito positiva, até sugere que ele pode elevar o juro em 2010, mas não é algo iminente."

Para Taís Marzola, economista da Rosenberg & Associados, não há no discurso nenhuma sinalização "enfática o suficiente para indicar elevações num horizonte muito próximo", mas o recado está dado: o BC vai monitorar cuidadosamente a economia e a inflação e agirá de acordo com o desenvolvimento de ambos.

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