BC ressalta piora do cenário inflacionário

O Banco Central avaliou que o cenário prospectivo de inflação piorou desde sua última reunião de política monetária, no ano passado, e ressaltou que ainda vê riscos decorrentes do descompasso entre oferta e demanda.

REUTERS

27 de janeiro de 2011 | 09h14

Segundo a ata do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, quando a Selic foi elevada em 0,50 ponto percentual para 11,25 por cento, o Copom afirma que atualmente as pressões inflacionárias são contidas com mais eficiência por meio de ações de política monetária.

"O Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação evoluiu desfavoravelmente desde sua última reunião... O Copom identifica riscos crescentes à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta", afirmou o documento, publicado nesta quinta-feira.

"O Comitê avalia como relevantes os riscos derivados da persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda."

O BC avaliou que a alta da inflação no último trimestre de 2010, motivada sobretudo pelos alimentos, pode ser transmitida para o cenário prospectivo. A ata também citou como riscos a estreita margem de ociosidade da economia e a possibilidade de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade.

"Cabe notar que o cenário prospectivo leva em conta a sazonalidade da inflação característica do primeiro trimestre, bem como a concentração atípica de reajustes de preços administrados prevista para ocorrer nesse período, embora, para o ano como um todo, o comportamento desses itens tenda a ser relativamente benigno", disse.

O BC disse ainda que as medidas macroprudenciais adotadas no começo de dezembro ainda terão efeitos sobre os preços e ressaltou que a política monetária tem mais efeito sobre as pressões de preços.

"Há evidências de que a tração da política monetária aumentou no passado recente e, comparativamente ao que se observava há alguns anos, atualmente pressões inflacionárias são contidas com mais eficiência por meio de ações de política monetária."

O Copom disse ainda que sua previsão para a inflação neste ano aumento em relação à reunião de dezembro, estando "acima" do centro da meta perseguido pelo governo, de 4,5 por cento. O prognóstico para 2012 também encontra-se acima desse patamar. Na ata, o Copom não fornece os números previstos, apenas no Relatório de Inflação.

(Reportagem de Vanessa Stelzer)

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