BC revê para cima projeção de investimentos diretos

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, informou hoje que os investimentos estrangeiros diretos já somam US$ 960 milhões este mês. O bom volume de ingresso de investimentos em setembro - US$ 1,236 bilhão - e a tendência registrada até agora de uma entrada de US$ 1 bilhão em outubro fizeram com que o Banco Central aumentasse sua projeção para o volume total de ingresso deste tipo de investimento este ano. A nova projeção é de um ingresso de US$ 16 bilhões em 2002. "Os investimentos estrangeiros têm vindo melhor do que o esperado. Tivemos US$ 1,2 bilhão em setembro, estamos caminhando para algo como US$ 1 bilhão em outubro e isso nos levou a estimar que o ano deve acabar com um ingresso da ordem de US$ 16 bilhões", disse o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn. O diretor ressaltou que as estimativas do BC, tanto para 2002 quanto para 2003, indicam que os déficits em transações correntes nestes dois anos serão totalmente financiados pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos.Goldfajn está projetando uma captação da ordem de US$ 4 bilhões do governo central em 2003. "Estamos repetindo o que já fizemos neste ano", disse. O diretor comentou também que trabalha com um cenário de melhora gradual do nível de rolagem de compromissos externos ao longo do próximo ano. "É possível que voltemos aos 100% de rolagem no final do ano", disse. Atualmente, o nível de rolagem está em torno de 44% dos vencimentos de compromissos externos e deve fechar o ano em cerca de 40%. SuperávitO balanço de pagamentos do Brasil apresentou em setembro um superávit de US$ 1,316 bilhão, segundo o Departamento Econômico do Banco Central. O resultado é melhor do que o de agosto, que apresentou um déficit de US$ 2,184 bilhões e pior que o de setembro do ano passado, quando houve um superávit do balanço de pagamentos de US$ 3,588 bilhões. No balanço de pagamentos de setembro último, o Banco Central contabilizou o empréstimo de US$ 3 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). No período de janeiro a setembro deste ano, o balanço de pagamentos apresenta um superávit de US$ 2,108 bilhões, ante US$ 6,910 bilhões de superávit em igual período do ano passado. Reservas líquidasAs novas projeções feitas pelo Banco Central para o balanço de pagamentos brasileiro indicam que as reservas internacionais líquidas poderão fechar o ano em US$ 13,644 bilhões. Caso se confirme a estimativa do BC, o valor de fechamento das reservas em 2002 ficará US$ 8,644 bilhões acima do piso definido pelo governo brasileiro no acordo firmado com o FMI. As reservas brutas, que contam com os recursos emprestados pelo Fundo ao País, fecharia em US$ 36,109 bilhões. Para Goldfajn, o valor estimado para as reservas líquidas ao final de 2002 é "confortável". "Esse montante é US$ 8,644 bilhões acima do piso mínimo acertado com o FMI. É muito próximo até do piso antigo (US$ 15 bilhões)", disse o diretor. Para 2003, a estimativa do BC é que as reservas brutas fecharão o ano em US$ 23,743 bilhões e as reservas líquidas em US$ 12,838 bilhões.

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