Marcio Fernandes / Estadão
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ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

BC revisa dados e rombo nas contas externas cresce 46,60% em 2018

Déficit em conta corrente somou US$ 21,946 bilhões, contra US$ 14,970 bilhões contabilizados originalmente

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 16h58

BRASÍLIA - Revisões estatísticas feitas pelo Banco Central mostraram que o rombo das contas externas brasileiras foi maior do que se supunha nos últimos anos. De acordo com a instituição, o déficit em conta corrente do País foi de US$ 21,95 bilhões no ano passado, um valor 46,6% superior aos US$ 14,97 bilhões informados originalmente. Na outra ponta, o valor do investimento produtivo de empresas estrangeiras no Brasil atingiu US$ 76,82 bilhões em 2018, um montante 13% inferior aos US$ 88,32 bilhões divulgados antes.

O resultado da conta corrente traduz a relação do Brasil com outros países nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços (gastos com viagens e aluguel de equipamentos, entre outros) e de rendas (pagamentos de juros e remessas de lucros, entre outros). Já os aportes produtivos no Brasil são medidos pelo Investimento Direto no País (IDP). Os dois dados são divulgados mensalmente nas Estatísticas do Setor Externo do BC. Na prática, com as revisões, o Brasil passou a contabilizar mais déficit e menos investimento.

De acordo com o BC, as revisões ocorreram para refletir de forma mais adequada o que de fato vem ocorrendo na relação entre o Brasil e o restante do mundo. O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, explicou ontem que, em 2006, uma lei eliminou a chamada “cobertura cambial obrigatória” das exportações. Isso significa que, ao vender para outros países, uma empresa do Brasil deixou de ser obrigada a internalizar todos os dólares provenientes das exportações.

“A partir da lei, tornou-se possível deixar estes dólares, ou uma parcela deles, no exterior”, explicou Rocha. Este dinheiro passou a ser usado pelas empresas para o pagamento de dívidas em outros países ou distribuição de lucros, por exemplo. O problema é que, com a manutenção de parte dos recursos de exportação no exterior, o BC teve dificuldades para enxergar onde os recursos estavam, de fato, sendo empregados. “Perdíamos (a identificação das) receitas que as empresas deixavam no exterior, mas também o que era feito com estes recursos”, disse Rocha.  

A partir da utilização de novas fontes de dados – como as respostas das empresas à pesquisa de Capitais Brasileiros no Exterior (CEB) nos últimos dois anos –, foi possível ao BC identificar de forma mais precisa o que era feito com os recursos que ficavam lá fora.

Uma das constatações foi a de que as empresas utilizavam parte do dinheiro de exportações para quitar operações intercompanhias – aquelas em que uma empresa no exterior empresta recursos para filiais no Brasil. Isso fez as operações intercompanhias de 2018, por exemplo, saírem de US$ 32,32 bilhões antes da revisão para US$ 20,84 bilhões depois da revisão. Como as operações intercompanhias estão dentro do cálculo do IDP, o resultado foi de queda do investimento direto no ano passado. “A revisão se concentra fundamentalmente nos dados de 2017 e 2018, mas há mudanças já a partir de 2015”, explicou Rocha.

Apesar das revisões mostrarem um retrato menos favorável para o setor externo brasileiro, Rocha defendeu que as contas seguem sustentáveis. “Melhoramos a qualidade das estatísticas, o que levou a déficits maiores nas contas externas e ingresso menor de IDP, mas a sustentabilidade das transações correntes continua inalterada”, disse.

Para ilustrar a afirmação, ele lembrou que, antes da revisão, o rombo de US$ 14,970 bilhões das contas externas em 2018 foi coberto pelo IDP de US$ 88,324 bilhões. Com os dados revisados, o déficit de US$ 21,946 bilhões foi coberto pelo IDP de US$ 76,817 bilhões. A diferença diminuiu, mas o valor do investimento direto ainda foi mais do que três vezes o montante do rombo da conta corrente.

2019

Os dados mais recentes mostraram déficit em conta corrente acumulado de US$ 30,277 bilhões de janeiro a agosto de 2019, pela nova metodologia. Já o IDP acumulado no período foi de US$ 41,213 bilhões. Sem as revisões, o déficit seria menor e o IDP, maior.

 

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