BC: risco interno é tão importante quanto risco externo

No balanço de riscos para inflação em 2008, o diretor de política econômica do Banco Central, Mário Mesquita, avaliou que os riscos do cenário interno são ?tão ou mais importantes? do que os do cenário externo. Nos riscos internos, o diretor apontou o aquecimento da demanda interna e as restrições ao crescimento provocadas pela maior incapacidade do setor produtivo de atender à demanda. Do lado externo, o risco é de uma desaceleração mais acentuada da economia mundial, provocada pela retração da economia dos Estados Unidos. Segundo Mesquita, o BC trabalha com uma desaceleração moderada. ?Mas não se pode descartar uma desaceleração mais acentuada.? Mesquita destacou que a intensidade da desaceleração da economia norte-americana é uma das principais ?portas em aberto? para 2008. ?É cedo para dizer qual será o mergulho. Suave ou abrupto?, afirmou. Ele reforçou, no entanto, a avaliação apresentada no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pelo BC, de que há hoje mais ?incertezas? em relação à economia mundial.Vulnerabilidade menorMesquita afirmou também, durante entrevista coletiva à imprensa, que a ampliação das reservas internacionais e o fim da dívida cambial doméstica tornaram o Brasil menos vulnerável às crises externas. Ele disse que de janeiro a novembro deste ano o BC comprou no mercado US$ 76,3 bilhões para as reservas internacionais. Segundo ele, esses recursos protegem o País de choques externos. Mesquita acredita que a política de reposição das reservas tem êxito. "Se o cenário internacional voltar a se complicar ainda mais, se aumentar o nervosismo nas principais praças financeiras e aumentar a aversão ao risco e haver uma depreciação do câmbio, isso levaria a uma queda da relação dívida/PIB porque o Brasil é credor em dólar. Isso mitigaria o impacto de uma possível crise sobre a nossa economia", afirmou.Ao ser questionado se o setor privado não estaria mais exposto a essa crise do que o setor público, Mesquita respondeu que o mecanismo para reduzir essa possível exposição é a taxa de câmbio flutuante. Segundo ele, o agente do setor privado precisa ter cautela na sua exposição externa já que não pode contar com o governo para prover o mercado de dólar a um determinado valor.

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