BC: ritmo menor no crédito reflete medidas do governo

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, afirmou hoje que as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo, desde o ano passado, já surtiram efeito em março. Segundo ele, a taxa de crescimento da concessão de crédito já está em ritmo mais moderado que a verificada em 2010. "O crescimento mais moderado do crédito está em linha com a política monetária mais restritiva, que visa, principalmente, o combate à inflação", afirmou.

EDNA SIMÃO E FÁBIO GRANER, Agencia Estado

27 de abril de 2011 | 12h38

Em março, o estoque de crédito do sistema financeiro totalizou R$ 1,752 trilhão, o que representa um crescimento de apenas 1% em relação a fevereiro. No acumulado de 12 meses até março, no entanto, a expansão foi de 20,7%. Maciel explicou que a tendência é de que esse crescimento em 12 meses também comece a cair a partir da incorporação dos números do crédito de 2011. "No segundo semestre (de 2010) teve um crescimento mais acelerado do crédito. A taxa de 12 meses tende a recuar quando incorporar novos dados de 2011", afirmou o chefe do Depec, referindo-se ao impacto mais forte das medidas prudenciais e do aumento da Selic (a taxa básica de juros) no crédito, nos próximos meses.

Ele afirmou ainda que a taxa de juros cobrada nos empréstimos - que passaram de 38,1% ao ano em fevereiro para 39% ao ano em março - reflete o ciclo de elevação da Selic e o impacto das medidas macroprudenciais. Sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a pessoa física, Túlio Maciel afirmou que os impactos ainda não se refletiram nos dados divulgados hoje. Segundo ele, algum efeito pode aparecer nos números parciais de abril. Ele afirmou que essa medida de aumento do IOF tem também como objetivo restringir a expansão do crédito. Ele, no entanto, não quis classificá-la como uma medida macroprudencial.

Maciel disse ainda que o crédito caminha para um ritmo de crescimento no nível desejado pela autoridade monetária. O BC projeta alta de 13% para o crédito neste ano e o presidente da instituição, Alexandre Tombini, já afirmou em outras ocasiões que deseja um crescimento de 10% a 15% para o crédito.

Segundo Maciel, a alta significativa de 3,5% na média de concessões de novos créditos em março ante fevereiro reflete apenas a sazonalidade do período, que é mais forte nas operações para pessoa jurídica, que teve crescimento de 5,5%. O chefe do departamento econômico do BC afirmou ainda que a estabilidade da inadimplência verificada em março ocorre em função da continuidade do crescimento econômico, que mantém em alta tanto o emprego como a renda. Mas ele avalia que o indicador de calotes pode ter alguma leve alta nos próximos meses, já que os índices de atrasos de até 90 dias (que é um indicador antecedente da inadimplência) tem subido neste início de ano.

Tudo o que sabemos sobre:
créditojurosmedidasgovernoBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.