BC se baseia em 'modelo estocástico bayesiano', o Samba

Em documento de 139 páginas, o Banco Central descreve o novo modelo matemático usado para definir a taxa de juros

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Apresentado em abril, o novo modelo matemático usado pelo Banco Central para prever o comportamento da economia brasileira chegou ao mundo em um calhamaço de 139 páginas. Na capa, um nome fácil: Samba. O significado, porém, é um pouco difícil: o mais brasileiro dos ritmos musicais é a sigla em inglês para "modelo analítico estocástico com uma abordagem bayesiana".

Para decidir os rumos da economia, todos os bancos centrais usam uma complexa fórmula para tentar prever da maneira mais precisa possível o comportamento de temas como a inflação e crescimento.

No Brasil, o modelo mais tradicional é baseado nos moldes adotados no início das metas de inflação na virada da década de 1990 para os anos 2000. Por isso, o Banco Central decidiu desenvolver algo mais moderno e sofisticado.

Então, nasceu o Samba. E, apesar de ter menos de seis meses, o Banco Central dá sinais de que está disposto a fazer com que o Samba soe cada vez mais alto. Por ser mais preciso que o modelo antigo, o Comitê de Política Monetária (Copom) atribuiu peso importante ao prognóstico feito pelo novo modelo no polêmico e surpreendente corte do juro decidido há pouco mais de dez dias.

Por mais estranho que pareça, o Samba não é um produto genuinamente brasileiro. Modelos de previsão como esse foram criados na Europa há alguns anos e ganharam fãs entre economistas de todo o mundo. Por isso, foi adaptado em países tão diferentes como a Suécia, Nova Zelândia, África do Sul e Chile. Até os Estados Unidos estão desenvolvendo algo parecido com o Samba. Vai ter outro nome, claro.

Modelo "tropical". No Brasil, o modelo de previsão europeu foi devidamente "tropicalizado" e incluiu aspectos locais, como as tarifas públicas que teimam em subir conforme a inflação passada e as famílias pobres que, exatamente por serem pobres, consomem todo o salário e não conseguem poupar.

Economistas entusiastas dizem que o Samba é bom porque consegue projetar um resultado mais próximo da realidade. O novo modelo reconhece, por exemplo, o efeito do esforço das empresas em elevar o lucro e das famílias em aumentar a renda. No sistema antigo, nada disso era percebido. Por isso, era menos eficiente.

Mas a novidade não ganhou dez em todos os quesitos. Há críticas. Quem não gostou do Samba diz que as previsões levam em conta muitos aspectos estimados em um processo que seria pouco preciso.

Além disso, seriam usadas estimativas para a economia internacional pouco conhecidas no Brasil. Ou seja, são argumentos técnicos e não dá para dizer que quem não gosta do Samba bom sujeito não é.

Perspectiva

As mudanças na gestão da política econômica ainda não estão totalmente consolidadas, mas o governo almeja chegar ao juro real entre 2% e 3% até o fim do governo Dilma, em 2014.

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