BC segura dólar com anúncio de leilão e alívio a exportador

Cenário:

CRISTINA CANAS , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h05

O Banco Central parece estar cansado de remar contra a maré e, ontem, depois de fazer o segundo leilão de swap cambial em dias consecutivos, além de anunciar uma terceira operação para hoje, esperou o mercado fechar para informar que os exportadores poderão voltar a fazer operações de pré-pagamento com instituições financeiras ou empresas que não sejam as importadoras de seus produtos. Em março último, quando tentava evitar a valorização excessiva do real, esse tipo de financiamento às exportações tinha sido limitado aos importadores e por prazos de, no máximo, 360 dias.

Sob o efeito do anúncio do terceiro leilão de swap - equivalente à venda de mais US$ 3 bilhões no mercado futuro -, o dólar à vista no mercado de balcão fechou estável, a R$ 2,0830, interrompendo um ciclo de seis pregões consecutivos de valorização. E a expectativa dos operadores é de que a revisão no financiamento aos exportadores alivie um pouco mais a pressão altista no pregão de hoje.

Ainda assim, ressaltam que a demanda por dólares é grande. Além de contar com os especuladores, que apostam firmemente na desvalorização do real, é engrossada por empresas e fundos que querem encerrar o semestre com baixa exposição ao risco para apresentar nos balanços. Até porque, o cenário internacional continua recomendando cautela. Hoje termina a cúpula da União Europeia e já não sobram esperanças de que surjam medidas capazes de nortear um caminho para a solução da crise na Europa. Ainda assim, se houver uma surpresa que indique um alívio na atual situação de tensão, os investidores poderão iniciar a segunda metade do ano com reações positivas lá fora e aqui.

O mercado de juros, por sua vez, praticamente consolidou, ontem, a ideia de que a Selic deve mesmo ser reduzida para 7,5% ao ano, com dois novos cortes de 0,5 ponto porcentual. Isso porque o Banco Central revisou sua projeção do PIB para este ano de 3,5% para 2,5% ao mesmo tempo em que cortou as estimativas de inflação para 2013. Os juros fecharam o dia em queda, com a taxa de janeiro 2013 em 7,63% e a de janeiro 2014 em 7,89%.

A Bovespa acompanhou o desempenho de seus pares internacionais e abandonou o patamar de 53 mil pontos, ao terminar em queda de 0,86%, aos 52.652,25 pontos. Os papéis da OGX voltaram a exercer pressão de baixa, mas o movimento teve contribuição também dos bancos. Na quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota de oito instituições brasileiras.

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