BC segura dólar mas não elimina tensão eleitoral

Apesar das muitas previsões de que o dólar atingiria R$ 4, mas isso não aconteceu. O Banco Central (BC) interveio para conter as cotações, e, apesar do nervosismo, a tendência foi de queda. Amanhã vencem contratos futuros de câmbio e títulos cambiais, os investidores seguem tensos com as eleições e as bolsas no mundo inteiro não param de cair.Segundo operadores, as transações com moeda norte-americana estão concentradas nas tesourarias dos bancos, como é habitual em véspera de vencimento de contratos futuros. Esse comportamento foi acentuado pelo vencimento de dívida pública cambial de US$ 1,25 bilhão, também amanhã. Nestes vencimentos, o interesse de boa parte dos investidores era atingir uma cotação alta, para inflar a correção dos contratos, o que vem pressionando o dólar há vários dias. O BC decidiu intervir com força, e a especulação cedeu. Além disso, não foi rolado um vencimento de linha externa de US$ 200 milhões, o que lhe dá mais poder de fogo para vender divisas no mercado de câmbio à vista.Mas os especialistas mantêm a avaliação de que o mercado é sensível e pode voltar a viver momentos de nervosismo. Porém, um dos fatores de maior pressão, a possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) já no primeiro turno das eleições, ao mesmo tempo que se torna mais real, começa a ser absorvido pelos investidores e pode ter menos peso nas decisões daqui para a frente.Uma das provas de que essa perspectiva está se tornando palatável ao mercado foram as declarações de um dos dois maiores banqueiros do País feitas hoje em Washington. Roberto Setubal afirmou que "Lula será um presidente racional", que "Lula fala ao coração das pessoas e Serra não", que "a comunidade empresarial está preparada para apoiar Lula e que "Lula será presidente pragmático e não ideológico". Analistas comentam que a nomeação da equipe econômica do petista seria um fator chave para acalmar os mercados.O pessimismo também foi influenciado pela tensão no mercado internacional, que está tendo novamente um pregão extremamente ruim. A Bolsa de Londres fechou em queda de 4,75%; Paris caiu 5,87% e Madri recuou 3,53%. Além do pessimismo na Europa, os investidores nos EUA reagiram mal à contração econômica registrada pelo índice de atividade industrial em setembro, da Associação dos Gerentes de Compras de Chicago, que caiu para 48,1. É a primeira vez que o índice fica abaixo de 50 em sete meses.MercadosÀs 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,8000, em baixa de 1,94% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,8000 e R$ 3,9600. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 64,08% no ano e 26,25% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 22,080% ao ano, frente a 22,000% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 27,600% ao ano, frente a 26,850% ao ano negociados sexta-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 0,91% em 8636 pontos e volume de negócios de R$ 293 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 36,38% em 2002 e 16,80% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, nove apresentam altas. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava em queda de 1,00% (a 7624,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -cai 1,59% (a 1180,13 pontos). O euro era negociado a US$ 0,9860; uma alta de 0,49%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, estava em alta de 0,12% (394,05 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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