André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

BC simplifica recolhimento dos compulsórios

Medida que facilita o processo dos depósitos deve reduzir custos dos bancos, o que pode chegar ao consumidor final

Fabrício de Castro, Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2017 | 22h36

BRASÍLIA - O Banco Central anunciou nesta terça-feira, 24, uma série de mudanças na forma de os bancos recolherem compulsórios – a parcela dos recursos de clientes que as instituições financeiras precisam, obrigatoriamente, depositar no BC. As medidas, antecipadas pelo Estado, buscam simplificar a forma de recolhimento e, em consequência, reduzir o custo dos bancos no processo, o que poderia chegar ao consumidor final. No entanto, o BC diz que não é possível prever quanto nem quando cairá o juro cobrado de famílias e empresas.

Os compulsórios obedecem a uma série de regras que encarecem o recolhimento – cerca de 80 circulares regem o processo. O anúncio de extingue quatro delas e outras duas perderão a validade em abril.

“A primeira medida é o encerramento de deduções autorizadas nos últimos oito e nove anos. Na época, admitiu-se uma série de aplicações que resultariam na redução do depósito compulsório”, explicou o chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban) do BC, Flávio Túlio Villela. “Agora, estamos agrupando todas em um item só para apuração do valor a recolher. Isso reduzirá o gerenciamento dos bancos em relação a compulsórios”, disse.

Outra mudança está ligada aos prazos para recolhimento dos compulsórios. Antes, havia períodos diferentes. Agora, o período de cálculo começará na segunda-feira e o cumprimento (quando ele de fato é recolhido) passa a ser a segunda seguinte.

“Não existe nada que a gente possa fazer para reduzir o custo de crédito, o spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é cobrado do cliente) de um dia para o outro. O que podemos é ter ações que se acumulam e dão esse resultado”, disse o diretor de política monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, ao comentar que é “difícil imaginar” que a medida não tenha impacto positivo para o custo dos bancos. “Mas quando isso vai virar redução (do custo) de crédito? A gente não sabe, mas sabemos que estamos no sentido certo.”

As mudanças, segundo o BC, não terão impacto na quantidade de recursos disponíveis na economia. Não há elevação ou redução do recolhimento.

O economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, afirmou que as medidas não têm, de fato, o objetivo de afetar a política monetária. Segundo ele, o BC buscou neutralidade na ação.

Para o ex-presidente do BC e atual sócio da consultoria Tendências, Gustavo Loyola, a iniciativa busca aliviar o custo operacional dos bancos, como parte de um conjunto de ações do governo para desburocratizar a economia. “A intenção foi simplificar, unificar bases de cálculo.” / COLABOROU EDUARDO LAGUNA

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