Banco Central sinaliza convergência da inflação para a meta em 2017, dizem analistas

Comunicado emitido pelo Copom após a reunião aponta, segundo economista, que IPCA ficará no nível atual por um bom tempo

Mateus Fagundes, Ricardo Leopoldo e Sandra Manfrini, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 21h20

A decisão do Banco Central de manter a taxa de juros em 14,25% ao ano e o comunicado de que a inflação deve convergir para a meta no “horizonte relevante da política monetária”, segundo economistas, são um sinal de que o BC vai agora trabalhar para que essa convergência ocorra em 2017.

“O BC deve se concentrar em sinalizar as expectativas para 2017. A ata provavelmente vai trazer algo neste sentido”, disse a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara. Segundo ela, o BC sinaliza que a Selic vai se manter no patamar atual por um “bom tempo”. 

"Trazer a inflação para a meta até poderia estar no horizonte. Mas diante da trajetória fiscal e do quadro fraco da economia, está ficando custoso para trazer a inflação ao centro em 2016", disse o economista Juan Jensen, professor do Insper e sócio da 4E Consultoria. "Por isso, o fato de tirar 2016 do comunicado, ainda que não diga que abandona a convergência para a meta no próximo ano, mostra que isso não deve ocorrer no próximo ano", completou.

Para Italo Lombardi, economista sênior para a América Latina do banco Standard Chartered, “o choque de câmbio e inércia de inflação deste ano para o próximo foram determinantes para o BC mudar o foco de convergência”. "Ocorreu uma depreciação muito forte do real neste ano. A cotação do dólar chegou a ficar um bom tempo no patamar de R$ 4,00", afirmou.

“Num contexto da economia com a inflação rodando perto de 10%, estava muito difícil para o BC levar o IPCA para 4,5% em 2016”, disse Lombardi. Ele estima que esse índice de preços ao consumidor deverá subir 6,2% no próximo ano. Por outro lado, devido à recessão que o País enfrenta, que deverá levar a uma queda do PIB de 2,5% em 2015 e de 0,8% em 2016, ele acredita que a Selic será reduzida no ano que vem e fechará dezembro em 13%. 

Ajuste fiscal. A manutenção da taxa de juros era esperada pela indústria, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade divulgou nota na qual defende que o País consolide o ajuste fiscal e crie condições para reduzir os juros. 

Na nota, a CNI destaca que um "eventual aumento da taxa de juros no cenário atual seria ineficaz para o controle da inflação e teria consequências devastadoras para a economia, com o aumento dos juros da dívida pública e o agravamento das dificuldades das empresas".

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