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BC sobe o tom e indica alta de juros

Uma semana depois de divulgar a ata do Copom com texto dúbio, BC publica relatório que dá sinais claros de alta de juros em janeiro

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

No último relatório de inflação da gestão Henrique Meirelles, o Banco Central deixou tudo pronto para que o futuro presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, inicie sua gestão subindo os juros para controlar o processo de alta da inflação e conquistar credibilidade no mercado financeiro.

Apenas uma semana depois de a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) desestimular as apostas de elevação da Selic em janeiro, o relatório trimestral divulgado pelo BC subiu fortemente o tom e levou o mercado a se posicionar para um aumento do juro básico já na primeira reunião de 2011.

A posição mais agressiva do colegiado no relatório evidencia que a leitura de parte significativa do mercado de que ata adiava o aperto monetário não foi considerada correta pelo BC. Tal avaliação no mercado reduziu os juros de curto prazo, movimento que, se perdurasse, atrapalharia o objetivo da autoridade de conter a escalada de preços e a piora das expectativas.

Assim, o BC, num ato raro, preferiu dar seu recado de forma direta no relatório, evidenciando que considera necessário subir logo os juros. A alta dá continuidade ao processo de aperto monetário iniciado neste mês com as medidas de contenção do crédito e elevação dos compulsórios, cujo impacto, segundo alguns economistas, é equivalente a uma subida de 0,75 ponto porcentual na Selic.

O relatório mostrou que, no cenário com juros e câmbio constantes (chamado de referência), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 5% em 2011. Já no chamado cenário de mercado, que considera a previsão de alta dos juros e variação do dólar prevista pelos analistas do setor privado, a estimativa do BC é de inflação de 4,8% em 2011.

2012. Assim, com seus cálculos apontando o IPCA acima da meta de 4,5% no próximo ano, o BC afirmou: "Importante destacar que, no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação", afirmou o BC.

A ata trouxe pela primeira vez projeções para a inflação no ano fechado de 2012. Pelo cenário de referência, o IPCA de 2012 ficará em 4,8%. O cenário de mercado, por sua vez, indica a inflação retornando ao centro da meta.

Derrapada. A divulgação de um relatório claro logo depois de uma ata dúbia evidenciou mais uma derrapada do BC na coordenação das expectativas. O ano de 2010 foi pródigo em situações desse tipo. Em março, por exemplo, às vésperas da decisão de Meirelles sobre se deixaria o cargo para disputar as eleições, o BC manteve os juros fazendo um discurso de alta.

A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, afirmou que não houve mudança no cenário em uma semana que explicasse alteração tão grande no tom do BC. "A ata gerou um pouco de confusão quanto ao início do aperto monetário. Acho que, até por isso, o relatório acabou sendo tão explícito. Foi uma forma de ancorar novamente as expectativas", disse a economista.

Questionado sobre as dificuldades do Banco Central em coordenar as expectativas, o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, alegou que nos últimos tempos tem sido mais difícil construir cenários. "A marca dos últimos tempos tem sido a volatilidade e isso se traduz na construção de cenários", disse. "Reconheço que as incertezas que cercam o cenário são altas".

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