BC sugere não mudar juros, mas analistas discutem cortes

Dúvida é se a redução terá início ainda no primeiro semestre, só na segunda metade do ano ou apenas em 2017

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

31 Março 2016 | 21h50

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) é uma formalidade do sistema de metas de inflação. O documento em que a diretoria do Banco Central expõe, com mais detalhes, sua visão dos desdobramentos futuros da economia, integra o conjunto de projeções que a autoridade monetária deve transmitir ao mercado e à sociedade.

Desse conjunto fazem parte, por exemplo, os comunicados emitidos no encerramento das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e as atas dessas mesmas reuniões, divulgadas uma semana após os encontros. O objetivo dessa política de comunicação é coordenar expectativa de inflação entre os agentes econômicos.

Esse lembrete pode ser útil quando se está diante do RTI referente ao primeiro trimestre de 2016, publicado nesta quinta-feira, 31. O texto, em razão das circunstâncias políticas do momento, cheira a um exercício de projeção muito menos convincente do que seus congêneres anteriores, produzidos em situações de menor anormalidade política.

As incertezas da conjuntura levaram o BC a concluir, no Relatório de março, não ser possível “trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária”. Mesmo que, como de praxe, também desta vez a menção a questões da esfera política tenha sido lateral, difícil desconsiderar a hipótese de que a gravidade da crise atual não tenha sido levada em conta na decisão de esperar antes de voltar a acionar a política monetária.

Entre os analistas, porém, prevaleceu uma segunda mensagem contida no Relatório – aquela segundo a qual os efeitos deflacionários da recessão estão mais intensos do que antes previsto. Assim, a divergência entre eles não se fixou na possibilidade de ser promovido ou não um corte nos juros, mas se a redução terá início ainda no primeiro semestre, só na segunda metade do ano ou apenas em 2017.

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