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BC surpreende mercado e deixa dólar chegar a R$ 2,07

‘Barreira psicológica’ era de R$ 2,05 por dólar; alguns analistas acreditam que novo ‘teto’ seja de R$ 2,10

Márcia de Chiara e Fabrício de Castro, de O Estado de S. Paulo, com Reuters,

28 de maio de 2013 | 17h05

O dólar voltou a subir nesta terça-feira,28, e chegou ao maior patamar em relação ao real desde 18 de dezembro. Embora o fortalecimento do dólar seja uma tendência internacional, analistas financeiros chamam a atenção para a tolerância do Banco Central brasileiro com a alta recente da moeda.

Investidores e analistas financeiros trabalhavam com uma meta informal de R$ 2,05 para o dólar. Essa cotação se baseava em intervenções feitas pelo BC nos últimos meses e pelas declarações de autoridades econômicas sobre o risco de uma desvalorização do real prejudicar o combate à inflação. O maior risco da disparada do câmbio é a pressão da alta dos preços em dólar sobre a inflação, que já está em um patamar alto, por volta de 6,5% ao ano.

Nos últimos dias, porém, o Banco Central não atuou no mercado e deixou o dólar se fortalecer. Com o mercado "testando" o BC, a moeda americana subiu nesta terça-feira 0,83% e fechou cotada a R$ 2,073. Neste mês, já acumula alta de 3,5%.

A alta foi atribuída a dados positivos dos Estados Unidos. Com a melhora da economia, o Banco Central americano poderá diminuir seu programa de estímulo monetário nos próximos meses, reduzindo a quantidade de dólares no mercado internacional e atraindo mais recursos para o país.

A alta do dólar se repete em vários países. No Brasil, o mercado esperava alguma resistência do BC. Uma das interpretações para essa tolerância é uma eventual estratégia de permitir alguma desvalorização do real para baratear os produtos nacionais e fortalecer as exportações. Seria uma maneira de reduzir o déficit externo, que chegou a 3% do PIB em abril, marca que não era atingida desde 2002.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, acredita que talvez o teto estabelecido pelo BC para intervir no mercado, sem risco inflacionário, seja um pouco maior do que se imaginava: R$ 2,10.

"Dessa forma, o BC também faz um ajuste favorável ao setor produtivo", diz. Faz tempo que os exportadores querem que o real se desvalorize para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros.

Antonio Madeira, economista da LCA Consultores, lembra que o BC sempre tem dito que regime cambial é flutuante. Para ele, o BC deixou a cotação romper o teto psicológico estabelecido pelo mercado para reforçar sua imprevisibilidade. "Ficarei preocupado se o BC não fizer nada nos próximos dias", diz. Ele lembra que muitas empresas têm dívidas em dólar e a tendência de alta pode levar essas companhias a liquidar os empréstimos em moeda estrangeira, o que pode realimentar a desvalorização do real.

Essa também é a avaliação do analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu. Segundo um levantamento feito pelo economista com base nos balanços de 2,5 mil companhias de capital aberto e fechado, a dívida em moeda estrangeira em dezembro de 2012 somava R$ 212,8 bilhões. Em dois anos, o saldo cresceu 85,7% em reais. Nesse mesmo período, o real se desvalorizou 18,5% em relação ao dólar. "Apenas um quarto do aumento do saldo ocorreu por causa do câmbio. A diferença é o avanço do endividamento em dólar", diz o economista-chefe da consultoria, Alex Agostini.

Fator. Entre os vários indicadores positivos da economia americana, o principal dado foi a confiança do consumidor, que deu um salto em maio e atingiu 72,6 pontos, o nível mais alto desde fevereiro de 2008, antes do estouro da crise financeira global. Em abril, esse indicador estava em 69 pontos e a expectativa do mercado era que atingisse 71 pontos este mês.

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