BC: taxa de juros de crédito subiram

As taxas de juros cobradas pelos bancos nas operações de crédito subiram em fevereiro. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os juros médios cobrados nas operações no segmento livre tiveram um aumento de 2,6 pontos porcentuais no mês. Com isso, as taxas médias chegaram a 51,8% ao ano ante os 49,2% cobrados em janeiro.Nas operações com as pessoas físicas, o salto foi de 63,5% ao ano para 66,3% ao ano. Por outro lado, a taxa de captação dos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) caiu de 14,9% para 14,7%. Isso significa que, ao mesmo tempo em que cobraram uma taxa mais alta nos empréstimos, os bancos ofereceram uma menor rentabilidade na aplicação em CDB. Ganhos dos bancos aumentaA parcela do ganho dos bancos nas taxas, que é o spread, teve um aumento de 3 pontos porcentuais em fevereiro. Na taxa média de 51,8% cobrados nas operações de crédito, o spread chegou a 37,1%. Em janeiro, o ganho dos bancos tinha correspondido a 34,3%. Na taxa média de 150,4% ao ano cobrado no cheque especial, o spread atingiu 135,7%. O BC, porém, continua de mãos atadas no combate às altas taxas cobradas no cheque especial. Desde meados do ano passado, o Banco Central tem prometido medidas específicas para acirrar a concorrência e forçar uma queda das taxas do cheque especial mas, até agora, nada foi feito neste sentido. No BC, o argumento é que o cheque especial é um dos produtos de concorrência mais difícil no sistema. Em relação ao aumento das taxas médias em fevereiro, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que é preciso considerar que o mês teve menos dias úteis que os outros meses. Porém, para manter o padrão da divulgação dos dados, o BC considerou a média de todos os meses, que é 21, e multiplicou as taxas diárias por este número. E isso, segundo Figueiredo, elevou as taxas. "Mas o efeito é estatístico", assegurou.Volume de crédito aumentouSobre o volume de crédito disponível para empréstimos, o diretor destacou que houve um aumento tanto para pessoas físicas, quanto nos recursos destinados aos empréstimos a empresas. Em janeiro, o saldo das operações com empresas chegou a R$ 105,578 bilhões ante os R$ 102,336 bilhões acumulados até janeiro. Nas operações com pessoas físicas o saldo de janeiro era de R$ 54,553 bilhões e chegou a 56,219 bilhões no mês passado. Na avaliação de Figueiredo, apesar das turbulências no mercado internacional que têm tido impactos no Brasil, a tendência é este crédito continuar aumentando.

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