BC: taxas de juros podem subir novamente

A decisão do governo de aumentar para 10% o recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo do sistema financeiro pode provocar uma nova elevação da taxa de juros dos empréstimos bancários, reconheceu ontem o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, já que a medida vai reduzir o volume de recursos à disposição dos bancos. Em agosto, de acordo com dados divulgados pelo BC, a taxa média dos empréstimos já havia subido 3,8 pontos porcentuais em relação a julho, chegando a 62,04% ao ano, o nível mais elevado desde fevereiro de 2000. A alta de agosto, segundo Altamir Lopes, refletiu um aumento momentâneo da percepção de risco pelo mercado financeiro, por causa da piora do cenário econômico. De acordo com os dados do BC, o aumento dos juros puniu mais as pessoas físicas. Para elas, o custo dos empréstimos subiu 4,6 pontos porcentuais de julho para agosto, chegando a 74,35% ao ano. No crédito para pessoas jurídicas, os juros aumentaram 2,3 pontos e a taxa média alcançou 44,26% ao ano.No caso das pessoas físicas, o maior aumento ocorreu nas taxas cobradas no cheque especial, que passaram de 150,04% para 158,80% ao ano. No crédito pessoal, os juros subiram de 78,58%, em julho, para 83,07% ao ano em agosto.Novas altasA previsão de nova alta dos juros dos financiamentos não é unânime entre os analistas do mercado financeiro. Muitos acreditam, por exemplo, que a situação recessiva da economia, ao diminuir a procura por crédito pelas empresas e pessoas físicas, não deixará muito espaço para uma subida generalizada das taxas. Em agosto, segundo os dados do BC, a concessão de crédito pelo sistema financeiro já mostrou retração. O total emprestado foi de R$ 2,99 bilhões, em comparação com R$ 3,13 bilhões em julho. A inadimplência das pessoas físicas também subiu pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 12,7% dos contratos.Os dados divulgados ontem pelo BC revelam ainda que os bancos conseguiram aproveitar a conjuntura de alta dos juros para ampliar sua margem de ganho bruto. Em agosto, aumentou o spread bancário, que é a diferença entre as taxas pagas pelos bancos na captação de recursos de clientes, por meio de depósitos a prazo, e os juros cobrados dos tomadores de empréstimos. O spread chegou a 43,09 pontos porcentuais, subindo 3,7 pontos em relação a julho.

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