Coluna

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BC tem pouco espaço para elevar a Selic

Num momento em que a Argentina volta à cena como fator de instabilidade e o risco de contaminação da inflação de 2002 ronda o governo, a política monetária dá sinais de enfraquecimento. Na avaliação de especialistas do mercado financeiro, a manipulação da taxa de juros - principal instrumento que o Banco Central dispõe para atuar no regime que combina metas de inflação com câmbio flutuante - está no limite. A recuperação do real frente ao dólar registrada ontem ainda é pouco para garantir tranqüilidade. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina hoje, o medo dos investidores em relação ao financiamento das contas externas no ano que vem entra na discussão como mais uma preocupação. Ontem, as reservas internacionais do País apresentaram redução de US$ 1,409 bilhão. A queda, entretanto, foi justificada pelos técnicos do banco pelo pagamento de US$ 1,680 bilhão de títulos da dívida externa renegociada (bradies). O gasto foi parcialmente compensado por um pequeno ingresso de recursos. A expectativa do BC é encerrar o ano com um piso de reservas de US$ 36,1 bilhões, incluindo o dinheiro liberado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, o saldo é US$ 37,9 bilhões.Nas últimas semanas, o nível de reservas do Brasil têm ajudado a pressionar a cotação do real ante o dólar. Com um cenário de desaceleração econômica mundial e retração do fluxo de recursos para as chamadas economias emergentes, aumentarão as dificuldades para o Brasil financiar as contas externas. A equipe econômica tem se esforçado para mostrar ao mercado que não haverá problema para cobrir o rombo este ano e nem em 2002. Ainda assim, o nível atual de reservas não dá tanta segurança. Esse risco já está no preço da moeda mas, quanto mais reservas o BC precisar gastar, mais o risco aumenta. Nos próximos dois meses, as amortizações que precisam ser feitas somam quase US$ 5 bilhões.Com tantos itens sugerindo mais instabilidade no câmbio, com risco de repasse para os índices de preço, o BC poderia decidir aumentar a taxa de juros, para evitar comprometimento da meta de inflação. No entanto, avalia-se que isso teria pouco efeito. "O País tem limitações fiscais e sociais. Aumentar juros pode ser um tiro no pé. Com isso, o governo caminha rapidamente para o limite da política monetária", afirma o economista Roberto Padovani. Nos últimos meses, o BC optou por medidas alternativas, como aumento do compulsório e limitação das empresas e bancos para operar no mercado de câmbio. "A política monetária não tem mais a mesma eficácia e o BC já sentiu isso. Qualquer mexida nos juros agora é ineficiente", diz o diretor do BES Investimento, Carlos Guzzo.

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