BC teme efeito de inflação sobre o crescimento do PIB

Atento a este risco, o BC informou que pretende colocar a inflação dentro da meta de 4,5% já em em 2009

Fábio Graner e Fernando Nakagawa, Agência Estado

31 de julho de 2008 | 08h54

A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, 31, deixou claro que o Banco Central está preocupando com o impacto da inflação sobre o crescimento do País. De acordo com o texto, isso acontece porque as taxas de juros ficam mais altas, o horizonte para o planejamento financeiro das pessoas e das empresas fica mais curto e este cenário reduz o "potencial de crescimento da economia", além de ter impacto negativo sobre a distribuição de renda. Atento a estes riscos, o BC informou que pretende colocar a inflação dentro da meta de 4,5% já em em 2009.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço Veja o comportamento da taxa Selic no governo Lula Mesmo com dados positivos, economia ainda dá sinais de alerta    Na última reunião do Copom, a Selic - a taxa básica de juros da economia - foi elevada em 0,75 ponto porcentual, o que colocou o juro no patamar de 13% ao ano. A decisão surpreendeu parte do mercado, que esperava uma elevação de 0,50 ponto porcentual.   Os diretores do Copom destacam que boa parte da inflação vem da alta do preço das commodities - produtos com preço definido no exterior - e, por conta disso, uma eventual acomodação dos preços destes produtos poderia "contribuir para evitar que as pressões inflacionárias se intensifiquem ainda mais". O documento aponta ainda que isso aconteceria com o fim do descompasso entre a oferta e a demanda por commodities no mundo todo.   Contudo, os diretores do BC admitem que este é um cenário difícil de ser alcançado, já que o crescimento da renda e do crédito tem levado os consumidores a gastarem mais. Essa forte demanda pressiona o preço das commodities, principalmente petróleo e alimentos - dois produtos que têm grande peso no cálculo da inflação de um País.   Pressões localizadas   O Copom também piorou o tom do discurso sobre a possibilidade de que pressões localizadas sobre os preços possam crescer e se tornar um risco para a trajetória da inflação. A piora do tom ocorre porque, na avaliação da autoridade monetária, há aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor.   Essas expectativas do mercado para a inflação futura, lembra o documento, "mostraram elevação significativa nas últimas semanas e que continuam sendo monitoradas com particular atenção". No mesmo trecho do documento, o BC cita que o preço dos produtos importados tem "se elevado com intensidade".   Outro aspecto repetido nesse trecho do texto é que o aquecimento da demanda doméstica "pode desencadear pressões inflacionárias mais intensas no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços". Diante do quadro, os diretores do banco repetem que "o Copom conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes".

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