BC tenta evitar desequilíbrios com o dólar

Autoridade monetária ofereceu US$ 5,5 bilhões no mercado futuro, ontem, para segurar a valorização da moeda

FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h07

O Banco Central surpreendeu ontem o mercado e mostrou que entrou na briga para tentar evitar desequilíbrios com o dólar. Ontem, ofereceu US$ 5,5 bilhões às instituições financeiras no mercado futuro, na primeira venda desse tipo em mais de dois anos. A operação aconteceu logo no início da manhã, quando o dólar ficou a poucos centavos de R$ 2. A oferta só amenizou o nervosismo dos investidores, já que a divisa fechou em alta.

O Banco Central promete continuar e até ampliar a atuação com a possibilidade de vender dólares no mercado à vista.

Pela primeira vez desde 26 de junho de 2009, o Banco Central voltou a ser vendedor no mercado de dólares. A operação aconteceu com a emissão de contratos de swap cambial, instrumento largamente usado na crise financeira de 2008 e que serve como uma proteção às variações da moeda norte-americana no mercado futuro.

Apesar do expressivo volume ofertado pelo BC, bancos compraram cerca de metade dos contratos e o montante financeiro somou US$ 2,71 bilhões.

"Entramos porque avaliamos que a liquidez do mercado não era adequada. O BC vai continuar no mercado futuro enquanto entender que é necessário", disse o diretor de política monetária, Aldo Luiz Mendes, após o dia turbulento.

A decisão de intervir aconteceu logo no início dos negócios, quando a ausência de vendedores e a abundância de interessados no dólar levaram as cotações para perto de R$ 2. Minutos antes do anúncio do leilão, as cotações no mercado à vista atingiram a máxima de R$ 1,9520, com forte alta de 5,8%.

Por enquanto, explica Mendes, o BC não encontrou problemas nos negócios com o dólar físico, no mercado à vista. "Não identificamos liquidez apertada nesse mercado. Mas, se encontrarmos, também podemos agir", disse.

Na crise passada, o Banco Central agiu fortemente nesse segmento com venda direta ou empréstimo de dólares ao sistema financeiro como maneira de resolver o problema de desequilíbrio entre compradores e vendedores.

Reação de mercado. A operação foi bem recebida no mercado. Nas mesas de compra e venda de dólar, prevaleceu o entendimento de que o BC está atento e não vai permitir que movimentos especulativos atrapalhem o rumo dos negócios.

Na quarta-feira, por exemplo, muitos analistas financeiros citaram que o dólar subiu a partir do meio da tarde com pouquíssimos negócios. Ou seja, a alta foi determinada por poucos agentes financeiros, o que não reflete necessariamente um movimento de mercado.

"O leilão conseguiu trazer um pouco de racionalidade aos negócios. Esse recado de que o BC pode voltar a qualquer momento aos negócios é bom porque diminui o espaço para os especuladores", diz o gerente de câmbio da Souza Barros Corretora, Luiz Antônio Abdo. Para ele, o BC foi "técnico" ao entrar em um período da manhã em que "praticamente não existiam vendedores" no mercado futuro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.