André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

BC terá ‘parcimônia’ no câmbio, diz Ilan

Novo presidente do BC diz que pretende reduzir instrumentos usados para intervir na moeda; instituição terá três novos diretores

MURILO RODRIGUES ALVES, CÉLIA FROUFE, EDUARDO RODRIGUES E BERNARDO CARAM, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 22h25

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira, 13, em seu discurso de posse, que a instituição adotará “parcimônia” ao intervir no câmbio em sua gestão. Segundo ele, se houver condições reduzirá os instrumentos que usa para intervir no preço do real.

“Sem ferir o regime de câmbio flutuante, o Banco Central poderá utilizar com parcimônia as ferramentas cambiais de que dispõe”, afirmou. “Nesse sentido, poderá reduzir sua exposição cambial em determinado instrumento em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições”, completou.

De agosto de 2013 a março de 2015, o BC intervinha diretamente no mercado com operações de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Esses leilões foram apelidados de “ração diária” e tinham como objetivo proteger empresas e bancos que tinham negócios atrelados a moeda estrangeira. A primeira vez que a “ração diária de dólar” foi usada foi em 2002, na gestão do ex-presidente do BC Armínio Fraga, que estava presente na cerimônia ontem. Na ocasião, Ilan era diretor de política econômica da instituição.

Ilan assumiu o posto trocando um terço da diretoria, formada por nove membros. Para as duas principais, a de política econômica e a de política monetária, indicou os economistas Carlos Viana de Carvalho, da PUC-Rio (no lugar de Altamir Lopes) e Reinaldo Le Grazie, diretor executivo da Bradesco Asset Management (Bram), em substituição a Aldo Mendes. Também da PUC-Rio vem o futuro diretor de assuntos internacionais, Tiago Couto Berriel, no lugar de Tony Volpon. Os três precisam ainda ser sabatinados pelo Senado.

O novo presidente do BC disse que o governo do presidente em exercício Michel Temer se comprometeu a mandar ao Congresso projeto de emenda à Constituição para garantir “autonomia operacional ou técnica” ao BC, como alternativa à retirada do status de ministro, e defendeu a autonomia orçamentária.

“Não se trata de ambição ou desejo pessoal, mas de medida que beneficia a sociedade mediante a redução das expectativas de inflação, da queda do risco país e da melhora da confiança, todas essenciais para a retomada do crescimento de forma sustentada”, disse.

Ao discursar antes de Ilan, o agora ex-presidente do BC, Alexandre Tombini, defendeu o comportamento que a instituição adotou em relação ao câmbio na sua gestão. Disse que agiu sempre para manter a funcionalidade do mercado e evitar “volatilidade excessiva”. Tombini vai assumir o cargo de representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

O ex-presidente apontou a forte desvalorização do real frente o dólar como uma das pedras em seu caminho no combate à inflação. O ajuste de preços do dólar e dos preços administrados pelo governo (como água, luz e tarifas de ônibus) foi o principal motivo que levou a inflação chegar a dois dígitos estourando assim o teto da meta estipulado pelo governo, de 6,5%.

O câmbio flutuante é um dos três componentes do “velho e bom” tripé econômico que Ilan prometeu trazer de volta ao assumir o cargo, junto com controle dos gastos públicos e da inflação, em contraposição à chamada “nova matriz econômica”, adotada pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff.

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