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BC testa apetite do mercado por dólares

Operação tinha como objetivo dar liquidez ao mercado, mas condições impostas pelos investidores não foram aceitas pela autoridade

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h09

O Banco Central (BC) voltou a oferecer dólares ao mercado. Em operação que não era realizada desde 29 de abril de 2009, a instituição ofertou ontem empréstimos na moeda estrangeira após reclamação de empresas e bancos e alguns sinais de que poderia haver falta de recursos no Brasil. A operação, porém, não pôs nenhum centavo no mercado porque as propostas foram consideradas "irreais" pelo BC.

O leilão foi anunciado na manhã de ontem, um dia após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar ao Estado que o Banco Central "tem bala na agulha" para enfrentar eventual falta de dólares provocada pela crise. A decisão de retomar a operação se deu após os primeiros minutos de negociação na quinta-feira, quando foram registrados alguns sinais de menor oferta de dólares no mercado brasileiro.

A operação anunciada é, na prática, um empréstimo, já que a moeda é vendida pela cotação atual aos bancos que têm o compromisso de revender o recurso ao BC - ou seja, devolvê-lo - com uma taxa combinada em janeiro ou fevereiro de 2012.

A operação foi muito usada na crise de 2008 e 2009, quando a oferta de dólares ao Brasil despencou e o BC passou a emprestar parte das reservas internacionais para aliviar a situação de bancos e empresas que tinham de pagar dívidas no exterior.

'Irreal'. Na operação de ontem, até houve demanda pelos dólares, mas o BC preferiu não aceitar as ofertas. Pessoa que acompanhou o leilão disse ao Estado que os interessados propuseram uma taxa de câmbio considerada "irreal" e "distante da realidade" pelo BC, ou seja, o valor que as instituições estavam dispostas a pagar pelo dólar era muito aquém daquilo que o BC considerava como "justo". Por isso, decidiu não vender nada.

A diferença entre as taxas oferecidas pelo mercado e as consideradas justas pelo BC provocou algumas interpretações distintas. Para a equipe econômica, o que se percebe é que a falta de dólares no mercado brasileiro pode não ser tão forte como têm reclamado algumas empresas e instituições financeiras nas últimas semanas.

Para o mercado, entretanto, apesar de uma eventual escassez da moeda causada pelo agravamento da crise externa, as mesas dos bancos e o BC têm entendimentos diferentes sobre a gravidade, o alcance e as consequências desse ambiente desfavorável. Por isso, houve discrepância nas cotações do leilão.

Independentemente do sucesso ou fracasso da operação, a retomada do leilão que não era realizado havia mais de dois anos foi encarada por muitas mesas de câmbio como um recado ao mercado. Para muitos operadores e analistas, a operação foi um aviso do BC: "Se precisar de dólar, estou aqui." Outros, mais críticos, afirmaram que o recado da autoridade monetária precisa ser completado com a expressão: "Então, não reclamem".

Outra doença. Um operador explicou que o resultado do leilão de ontem deixou clara a diferença entre a situação atual e a vivida no auge da crise de 2008. Lá, faltava liquidez no mercado de câmbio. Em outras palavras, havia poucos recursos disponíveis. Hoje, a alta do dólar é fruto, basicamente, do aumento da demanda pela moeda, em decorrência a maior percepção de risco global nas últimas semanas.

Portanto, o remédio que funcionou naquela ocasião dificilmente terá bons resultados agora, visto que a doença é distinta. /COLABOROU LEANDRO MODÉ

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